Tenho escutado com certa frequência, de eleitores, políticos, jornalistas e até cientistas políticos, que estamos vivendo uma campanha eleitoral morna no Rio Grande do Norte. E também no Brasil.
Mas como explicar essa aparente apatia do eleitorado numa eleição tão disputada, a menos de duas semanas do primeiro turno?
Talvez estejamos diante de uma espécie de ressaca eleitoral, depois de duas eleições presidenciais marcadas por uma polarização intensa e desgastante.
O eleitor continua dividido, mas parece menos disposto a entrar novamente numa guerra política.
A ausência de Jair Bolsonaro na disputa presidencial também mudou o cenário. Flávio Bolsonaro assumiu o protagonismo do campo bolsonarista, mas a campanha ainda não reproduziu o ambiente de mobilização das eleições anteriores.
Há também o peso da economia. Para uma parcela do eleitorado, a decisão de voto passa mais pela avaliação do governo, do custo de vida e do próprio bolso do que pelas promessas dos candidatos.
No Rio Grande do Norte, a disputa pelo governo tem três candidaturas principais, com Allyson Bezerra, Cadu Xavier e Álvaro Dias. As pesquisas mostram diferenças entre os institutos e movimentações nas intenções de voto, mas isso ainda não se traduziu numa campanha de grande mobilização popular.
E há outro fator que não pode ser ignorado: a própria maneira de fazer campanha mudou.
A disputa acontece cada vez mais nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp, longe dos grandes comícios e das movimentações de rua que, no passado, davam às cidades aquele clima de eleição.
Talvez a campanha não esteja propriamente morna. Talvez esteja apenas menos visível.
Mas uma coisa é certa: uma eleição pode ser acirrada nas pesquisas e, ao mesmo tempo, despertar pouco entusiasmo nas ruas.
E é justamente essa aparente contradição que estamos vivendo nesta reta final da campanha.