A trajetória da empresa Viking Participações acompanha a escalada patrimonial meteórica de seu proprietário, o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso desde o início do mês, acusado de corrupção e crime contra o sistema financeiro, e que negocia um acordo delação premiada.
Em menos de dez anos, a Viking saiu de patamar contábil baixo para uma estrutura que movimenta centenas de milhões de reais via capitalização e venda de participações, dona de imóveis de alto luxo e aviões.
Para a Justiça, há indícios de que a empresa seja um instrumento para a blindagem patrimonial de Vorcaro em meio ao colapso do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado, em meio ao escândalo de fraude.
Peças judiciais obtidas pelo Metrópoles indicam que a firma já estava envolvida em negócios suspeitos ainda na época em que o Banco Master se chamava Máxima, no começo da década de 2020, e pode ter sido usada na capitalização do banco.
Uma decisão judicial da última semana busca impedir que os bens em nome da Viking desapareçam. A pedido do liquidante do Master, o juiz Adler Batista de Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências de São Paulo, determinou a inclusão de um protesto nos registros de três aeronaves compradas por mais de R$ 250 milhões e de dois apartamentos em um bairro rico de São Paulo.
A ação foi movida com objetivo de preparar o terreno para que os bens sejam revertidos aos credores do banco, que deixou um rombo estimado em R$ 50 bilhões.
“Os indícios apresentados corroboram a tese de que a requerida (Viking Participações Ltda.) possa ter atuado como veículo de interposição para a ocultação de recursos. Destaca-se a documentação que aponta a aquisição de ativos de luxo, como aeronaves e imóveis de alto padrão na capital paulista, formalmente registrados em nome da sociedade ré, mas supostamente vinculados e usufruídos pelo ex-controlador da instituição financeira liquidanda”, afirmou o juiz na liminar.
A reportagem procurou a assessoria de Vorcaro para comentar as decisões judiciais, mas ela afirmou que não comentaria sobre o tema.