Uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos foi alvo de duas operações da Polícia Civil deflagradas nesta quarta-feira (25), que investigam irregularidades em seleções do TJPE (Tribunal de Justiça de Pernambuco) e do TCE-PE (Tribunal de Contas do Estado), realizadas em 2025. Entre os presos estão servidores públicos, incluindo policiais militares de Pernambuco e do Piauí.
A noticia é de GABRIELA BENTO. Ao todo, foram expedidos 37 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Destes, nove foram cumpridos. Segundo as investigações, candidatos pagavam valores que podiam chegar a R$ 70 mil para garantir aprovação.
No âmbito da operação Kyma, que apura fraudes no concurso do TJPE, o grupo atuava de forma estruturada e contava, inclusive, com infiltração no processo de aplicação das provas. De acordo com o delegado Júlio César, havia uma pessoa que se infiltrava na banca, capturava imagens do conteúdo e repassava para o líder da organização, que distribuía as questões para resolução e depois devolvia os gabaritos aos clientes.
As apurações indicam que o esquema funcionava há cerca de uma década e utilizava diferentes métodos de fraude. Parte dos candidatos recebia respostas por meio de dispositivos eletrônicos, como pontos conectados a celulares adaptados para burlar detectores de metal. Outros tinham acesso prévio ao gabarito e levavam as respostas escondidas para consulta durante a prova.
Ainda segundo o delegado, havia suporte logístico no dia dos exames, com orientação a candidatos sobre como ocultar materiais e consultar respostas sem levantar suspeitas.
A investigação começou no fim de 2025, após denúncias, e contou com cooperação entre a Polícia Civil, a Polícia Federal e outros órgãos. A análise de um grande volume de dados permitiu identificar a origem do vazamento e mapear a atuação do grupo.
De acordo com a polícia, também há indícios de participação ativa de alguns candidatos, que não apenas compravam os gabaritos, mas auxiliavam na logística da fraude, seja transportando equipamentos ou captando novos interessados.
Materiais como provas, celulares e mídias digitais foram apreendidos e serão analisados para reforçar as evidências. A polícia apura ainda a possível conexão entre os investigados nas duas operações, já que o modo de atuação é semelhante.
Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, fraude em concurso público e lavagem de dinheiro. As investigações seguem em andamento.