Na noite em que a Câmara aprovou a PEC do fim da escala 6x1 por esmagadores 472 votos a 22, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) subiu à tribuna e entregou a frase que resume o que milhões de brasileiros sentem: "Se o governo quisesse melhorar a vida do trabalhador, era só deixar de roubar." Sem rodeio, sem juridiquês — e com a força de quem sabe que os números estão do seu lado. Assista:
A lógica é aritmética. O trabalhador brasileiro entrega quase cinco meses de salário por ano ao Estado numa carga tributária de 33% do PIB, comparável à de países ricos — mas recebe de volta serviços de país pobre. Enquanto isso, escândalos como o do INSS e do Banco Master mostram que bilhões seguem sendo desviados. Van Hattem foi à raiz: não é a escala que escraviza o trabalhador, é o peso de um Estado inchado, caro e corrupto sobre seus ombros.
A PEC aprovada reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, garante duas folgas e proíbe corte salarial, com transição de 14 meses. É popular? Sem dúvida. Mas o timing — a 16 meses da eleição — denuncia o cálculo: Lula transformou a medida em sua principal bandeira de campanha para 2026. Van Hattem não deixou isso passar e ainda anunciou que a oposição já protocolou no Senado a PEC do Horário Flexível, que dá ao próprio trabalhador a liberdade de negociar sua jornada.
O ponto central é que reduzir jornada por decreto sem atacar o custo Brasil é dar analgésico a quem precisa de cirurgia. Com Selic a 14,5%, informalidade acima de 38% e mais de R$ 1 trilhão gastos com juros da dívida, o trabalhador não pede apenas mais folga — ele pede que o sacrifício das horas trabalhadas valha a pena. E isso só acontece quando o governo para de desperdiçar o que arrecada.
A PEC segue agora para o Senado, onde precisa de 49 votos em dois turnos. Mas a frase de Van Hattem já cumpriu seu papel: lembrou ao país que, antes de redistribuir horas, seria preciso redistribuir honestidade. Quem mais trabalha no Brasil é quem menos recebe — e quem mais recebe é quem menos trabalha.