Cláudio Castro comunicou nesta quinta-feira (28) ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que não será mais candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Alvo de duas operações da Polícia Federal em apenas 11 dias, apontado como "operador" do Banco Master dentro do governo fluminense e já declarado inelegível pelo TSE por abuso de poder político e econômico, o ex-governador finalmente reconheceu o óbvio: sua candidatura era insustentável.
O que chama atenção, porém, não é a desistência em si, mas o fato de que Castro precisou tomar sozinho a decisão que Flávio Bolsonaro e a cúpula do PL não tiveram coragem de impor. Desde março, quando o TSE o condenou, dirigentes do partido já avaliavam nos bastidores que Castro havia se tornado "tóxico" para a chapa fluminense e, principalmente, para a pré-candidatura presidencial de Flávio. Mesmo assim, ninguém o retirou formalmente. A orientação, conforme revelou o blog de Gerson Camarotti no G1, era que o próprio Castro "tomasse a iniciativa" de sair, para que o PL não carregasse o ônus político de descartá-lo.
Em outras palavras: o partido preferiu a omissão calculada à liderança. Deixou um pré-candidato sob investigação criminal e eleitoral desfilar por meses como integrante da chapa ao lado de Flávio, contaminando a imagem da sigla a cada nova revelação sobre os R$ 3,6 bilhões desviados do RioPrevidência para o Master e a relação pessoal de Castro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o mesmo Vorcaro que financiou o filme sobre Jair Bolsonaro e que agora pesa como um fantasma sobre a campanha presidencial do filho.
Castro, ao menos, leu o cenário. Declarou que vai "se dedicar à defesa jurídica" e abriu caminho para que o PL escolha um substituto, com nomes como Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante já na fila. Fez, na prática, o serviço que a direção partidária deveria ter feito semanas atrás, quando as evidências já eram esmagadoras.
A lição que fica é sobre o pragmatismo seletivo do PL: o partido que se apresenta como defensor da moralidade pública manteve um pré-candidato investigado por desvio bilionário enquanto fosse eleitoralmente útil e só aceitou sua saída quando ele próprio decidiu ir embora. Não houve expulsão, não houve nota de repúdio, não houve sequer um pedido público de afastamento. Houve apenas o silêncio conveniente de quem esperava que o problema se resolvesse sozinho.