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Ciro Marques


[VIDEO] Rogério Marinho chama Lula de "mentiroso" e afirma que fim da escala 6x1 é "estelionato eleitoral"

Rogério Marinho

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), fez um dos ataques mais duros ao presidente Lula desde o início do debate sobre a jornada de trabalho. Em pronunciamento nesta quinta-feira (28), o senador potiguar foi categórico: "Lula mente. Lula mente de forma absolutamente natural. O que não é natural é que as pessoas continuem acreditando."

A declaração foi uma reação direta à aprovação da PEC 221/2019 pela Câmara dos Deputados, que reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas e encerrou a escala 6x1 — proposta aprovada por 472 votos a 22. Para Marinho, a medida não passa de manobra eleitoral disfarçada de conquista social. "O que está acontecendo hoje é um novo estelionato eleitoral", acusou, comparando a promessa de redução de jornada sem perda salarial às promessas de campanha de 2022. "É o mesmo governo que prometeu picanha e cervejinha e nos ofereceu insegurança jurídica, inflação e aumento de preços."

O senador argumentou que a conta da redução da jornada cairá diretamente no bolso do trabalhador. Segundo ele, o aumento no custo de produção será repassado ao preço dos produtos, gerando inflação. Empresas mais estruturadas farão ajustes demitindo funcionários com salários maiores e contratando mão de obra mais barata, reduzindo a massa salarial. As pequenas empresas — padarias, salões de cabeleireiro, oficinas mecânicas, bares e restaurantes — que respondem por metade dos mais de 40 milhões de empregos com carteira assinada no país, serão as mais afetadas. "Muitas vão migrar para a informalidade. E migrando para a informalidade, você precariza o trabalho e diminui a proteção do trabalhador", alertou.

Marinho também criticou o que chamou de tratamento uniforme para realidades desiguais, usando uma analogia militar: "É a mesma coisa que no Exército apresentássemos a mil recrutas o mesmo tamanho de sapato. Sapato 37 vai calçar quem usa 40, 42, 45. Isso não funciona." O senador lembrou que existem mais de 3.400 ocupações registradas no Ministério do Trabalho e que impor a mesma escala rígida a todas elas ignora as particularidades de cada setor.

Em contrapartida, o líder oposicionista apresentou a PEC 12/2026, protocolada horas antes com 36 assinaturas de senadores, que propõe um modelo de jornada flexível. A proposta permite ao trabalhador negociar livremente a quantidade de horas — 20, 30, 40 ou 50 — com remuneração proporcional e manutenção de todos os direitos constitucionais, incluindo férias, FGTS, décimo terceiro e licenças.

"Em todo o mundo civilizado, redução de jornada acontece pelo aumento da produtividade, da qualificação dos trabalhadores, da inovação tecnológica, não pela caneta de quem quer que seja", concluiu Marinho, que também coordena a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

 

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