A Polícia Federal (PF) apreendeu, nesta sexta-feira (15), cerca de R$ 580 mil em espécie na casa de um policial civil, identificado como Maxwell Moraes Fernandes, alvo da Operação Sem Refino. A ação investiga esquema de possíveis fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Com informações da coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.
Entre os alvos de busca e apreensão, está o desembargador Guaraci de Campos Vianna, integrante da 6ª Câmara de Direito Privado do TJRJ. Além do ex-governador Cláudio Castro (PL), alvo de buscas em sua residência, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
O nome de Guaraci Vianna já havia surgido anteriormente nas investigações. Em março deste ano, a Corregedoria Nacional de Justiça determinou o afastamento imediato do desembargador após suspeitas de decisões consideradas excessivamente favoráveis ao grupo Refit.
Segundo investigadores, as decisões judiciais beneficiavam diretamente a Refinaria de Manguinhos em disputas envolvendo o funcionamento da empresa e cobranças tributárias bilionárias.
O Grupo Refit, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores tributários do país, acumulando dívidas superiores a R$ 26 bilhões.
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro informou que está colaborando com a operação realizada pela Polícia Federal. “A instituição reforça que mantém permanente cooperação com os órgãos de investigação e segurança pública, atuando de forma integrada.”
O caso é acompanhado pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL).

Operação
As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação apura suspeitas de uso de estruturas empresariais e financeiras para ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro, evasão de recursos ao exterior e fraudes tributárias no setor de combustíveis.
Ao todo, a PF cumpre 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal.
A Justiça ainda determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. Além da inclusão do nome de Ricardo Magro na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localização internacional de foragidos.
O que diz a defesa?
Em nota, a defesa do ex-governador do Rio Claudio Castro afirma que foi surpreendida com a operação de hoje e que ainda não tomou conhecimento do objeto do pedido de busca e apreensão. No entanto, Castro está a disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura.
“É de suma importância destacar que a gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo o montante se aproxima de R$ 1 bilhão”, escreveu.