O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra na reta final do mandato sob o impacto de duas derrotas acachapantes no Congresso Nacional.
A rejeição de Jorge Messias ao STF e a derrubada dos vetos ao projeto da dosimetria foram mais do que reveses: expuseram a perda de tração política do Palácio do Planalto.
Neste novo cenário, já não há fiador da governabilidade. Nem mesmo Davi Alcolumbre demonstra disposição para exercer esse papel.
O jogo mudou: o presidente do Senado parece mais inclinado a se alinhar ao campo da direita, sob a influência do presidenciável Flávio Bolsonaro.
No Planalto, o dilema é claro. De um lado, o confronto — com o discurso do “Congresso inimigo do povo” — já testado no 1º de maio.
De outro, a recomposição institucional para garantir o mínimo de governabilidade.
A segunda via se impõe menos por escolha e mais por necessidade.
O problema é que o governo ainda tem agenda pré-eleitoral — e ela depende do Congresso:
- fim da escala 6x1;
- PEC da Segurança Pública;
- redução de tributos sobre combustíveis (Pis/Cofins).
São propostas com apelo direto ao eleitor, mas que exigem negociação fina. Nenhuma passa sem o aval do Centrão. Afinal, o Congresso já opera sob lógica eleitoral.
Lula chega ao momento decisivo: confrontar ou negociar.
Se optar pelo embate, pode mobilizar a base — mas isola o governo. Se escolher a composição, abre caminho para avançar na agenda.
O presidente tem dois desafios pela frente:
Primeiro, demonstrar que o governo não acabou — como sustenta a oposição.
Segundo, reafirmar sua condição de candidato à reeleição — ainda que isso, por ora, permaneça no terreno das especulações.
Portas abertas – Na estreia do Contraponto, na 96 FM, Allyson Bezerra afirmou que “não há veto” do grupo de Zenaide Maia ao nome de Carlos Eduardo Alves para a chapa ao Senado.
— Ninguém pode montar uma chapa sozinho, da própria cabeça — disse o pré-candidato ao governo pelo União Brasil.
Segundo ele, a definição passa por diálogo com prefeitos e deputados da base. Allyson defende consenso e descarta a ideia de restrições entre aliados.
Estratégia – Allyson também apresentou a fórmula para escapar da polarização:
— Fui prefeito com Bolsonaro no poder, o recebi em Mossoró, fui a Brasília, dialoguei com seus ministros. Quando Lula veio ao estado, também o recebi, fui a Brasília e dialoguei com seus ministros. Coloco os interesses do Estado acima de preferências pessoais, ideológicas ou partidárias — afirmou.
O pré-candidato rejeita o embate ideológico entre Cadu Xavier e Álvaro Dias.
Guararapes – Flávio Rocha usou as redes sociais para enviar um recado direto sobre seu futuro político no Rio Grande do Norte. O empresário republicou texto do jornalista Cassiano Arruda, intitulado “Flávio não precisa ter um mandato para servir ao RN”, reforçando a ideia de atuação pública sem cargo eletivo.
O mistério, porém, permanece. Filiado ao Partido Novo, o dono da Riachuelo segue articulando uma possível pré-candidatura ao Senado no campo da direita.