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Diógenes Dantas


Lula, o STF e o tempo da política

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Entre o embarque para Washington e o retorno a Brasília, Luiz Inácio Lula da Silva tenta reorganizar um tabuleiro que saiu do seu controle.

A rejeição de Jorge Messias pelo Senado abriu um precedente raro — e turbulento — na engrenagem das indicações ao Supremo.

O roteiro traçado já é conhecido: viagem aos Estados Unidos, encontro com Donald Trump e, na volta, a promessa de tratar do assunto com a calma possível — e a política necessária. Nos bastidores, porém, o relógio corre em dois tempos: o institucional e o eleitoral.

Lula quer, antes de tudo, dar destino a Messias — revelou hoje o repórter da CNN, Gustavo Uribe.

A trilha mais desenhada leva o auxiliar para o Ministério da Justiça, mantendo-o em vitrine. Não é apenas acomodação; é cálculo. Deixar o nome vivo para uma eventual nova indicação — sobretudo se houver reeleição — mantém uma porta entreaberta no Supremo.

Na sequência, entra em campo Davi Alcolumbre. A conversa com o presidente do Senado virou peça-chave. Mais do que aparar arestas, Lula precisa medir o humor da Casa e entender até onde vai a disposição para chancelar um novo indicado. Em política, não basta ter o nome — é preciso ter o ambiente.

E nomes não faltam. Circulam no Planalto a ex-ministra Simone Tebet, a advogada Carol Proner (esposa de Chico Buarque) e a procuradora federal Manuellita Hermes Rosa Oliveira Filha (AGU). Cada escolha carrega um recado: composição política, identidade ideológica ou sinalização institucional.

Mas, como de costume em Brasília, o roteiro oficial convive com o enredo paralelo. Já se ouviu de tudo: que Lula pode esticar a corda e retaliar Alcolumbre; que vai baixar a temperatura e negociar; que pode surpreender com um nome fora da lista — como Rodrigo Pacheco —; ou, ainda, empurrar a decisão para depois das eleições.

No fundo, a questão é menos sobre quem será indicado e mais sobre quando — e em que condições. O presidente sabe que cada movimento no STF ecoa no Congresso, no mercado e, sobretudo, nas urnas.

Entre Washington e Brasília, Lula joga com o tempo. E, na política, tempo é quase tudo.

 


 

Chega mais – O prefeito de Natal, Paulinho Freire, será o coordenador-geral da campanha de Álvaro Dias ao Governo do Estado. A definição consolida a proximidade política entre os dois e inclui também o pré-candidato a vice, Babá Pereira, que integra a articulação. À frente da coordenação, Paulinho ficará responsável pela organização da campanha, pela interlocução política e pela busca de apoios.

 

A ponte - Em meio à polarização, um gesto de civilidade: a vereadora Samanda Alves (PT) se reuniu com o prefeito Paulinho Freire para tratar da liberação de recursos federais para Natal. Além de atualizar o andamento dos convênios, destacou os repasses do governo Lula: “Só este ano, já são mais de R$ 12 milhões”, afirmou.

 

Ouro negro – O STF retoma nesta quarta-feira a batalha jurídica sobre a partilha dos royalties do petróleo. O desfecho da lei 12.734/2012 promete mudar radicalmente o saldo bancário das cidades potiguares. O debate ressurge após mais de uma década de espera. O processo estava paralisado desde 2013 por uma decisão liminar da ministra Cármen Lúcia.

 

Ator fundamental – Cadu Xavier deixou claro que a estratégia do PT é atrair mesmo Ezequiel Ferreira de Souza para seu palanque, classificando o deputado como “ator fundamental”:

— Ele é um aliado do governo Fátima. É um quadro que eu tenho profundo respeito — disse ao Contraponto, na 96 FM. Questionado sobre uma possível vice do PSDB, Cadu deixou a porta aberta. “É uma possibilidade”, disse.

 

Sem pressa – A definição do vice na chapa de Cadu não sairá antes de junho.

— A gente não tem pressa para escolher o vice. O que não abrimos mão é do critério da confiança —  explicou o ex-secretário da Fazenda, na 96 FM

O nome de Luciana Soares (PV) surge como uma das opções avaliadas. Segundo Cadu Xavier, o PT prefere aguardar o amadurecimento das alianças no interior do estado.

 

 

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