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Ciro Marques


Política

Quem era Sicário, espião de Vorcaro que "se matou" na prisão, segundo a Polícia Federal

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Morreu, na noite desta quarta-feira (4/3), Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, um dos presos na Operação Compliance Zero. Ele era responsável, segundo a Polícia Federal, de invadir os sistemas da PF, do MPF e até do FBI, para conseguir informações sobre as investigações de sobre Daniel Vorcaro. 

Conhecido como “Sicário”, Luiz Phillipi atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais (MG). Fontes da PF ouvidas pela coluna confirmaram que Luiz Phillipi teve morte encefálica.

Na tarde desta quarta, a PF havia informado que o investigado chegou a ser socorrido por policiais federais que estavam no local no momento da ocorrência. Ele foi submetido a procedimentos de reanimação e levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital João XXIII, no centro de Belo Horizonte.

A situação foi comunicada pela PF ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação informou que entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.

QUEM 'ERA' SICÁRIO

A decisão do ministro André Mendonça na Petição 15.556, no STF, aponta LUIZ PHILLIPI MACHADO DE MORAES MOURÃO, identificado nas mensagens como “Felipe Mourão” e chamado pelo apelido de “Sicário”, como peça central do núcleo de monitoramento e intimidação investigado na Operação Compliance Zero. O documento descreve que ele mantinha relação direta de prestação de serviços com Daniel Bueno Vorcaro e seria responsável por obter informações, monitorar pessoas e “neutralizar” situações sensíveis aos interesses do grupo.

Segundo o despacho, LUIZ PHILLIPI exerceria papel central na coordenação operacional de um grupo informal denominado “A Turma”, descrito como estrutura usada para vigilância, coleta de informações e acompanhamento de indivíduos considerados adversários. A decisão relata que as diligências teriam como foco pessoas ligadas a investigações ou críticas às atividades do grupo econômico relacionado ao Banco Master.

O texto vai além e afirma que, de acordo com a autoridade policial, LUIZ PHILLIPI teria realizado consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, usando credenciais funcionais de terceiros. A decisão cita, nesse ponto, suspeita de acesso indevido a bases da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como FBI e Interpol, conforme menção expressa no trecho disponibilizado.

A decisão também registra “fortes indícios” de que “Felipe Mourão” recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro, por intermédio de Fabiano Campos Zettel, como remuneração por “serviços ilícitos”. O despacho transcreve diálogos em que Mourão reclama do atraso do “mensal” e detalha a divisão interna dos valores, e menciona ainda uma transferência bancária de R$ 1 milhão para a conta indicada por ele, vinculada à empresa KING Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda.

Para o relator, os elementos descritos sugerem uma engrenagem organizada, com divisão de tarefas, que misturaria obtenção clandestina de informações, monitoramento presencial e ações para pressionar ou intimidar críticos. A decisão cita ainda indícios de atuação voltada à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais com expedientes que simulavam solicitações oficiais, reforçando a tese de obstrução e intimidação investigadas na operação.

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