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Segurança

Quem é "Chorão": o número 2 do CV no RN preso no Maracanã enquanto ia ver o Flamengo

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Na noite desta quarta-feira (20), enquanto mais de 53 mil torcedores se aglomeravam nas catracas do Maracanã para Flamengo x Estudiantes pela Libertadores, um homem tentava se misturar à multidão como apenas mais um rubro-negro. Edenison Luiz Moura de Melo, o "Chorão", subia a rampa de acesso à arquibancada quando foi surpreendido por policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), vestidos com camisas do Flamengo e infiltrados entre os torcedores. A partida que ele planejava assistir terminou antes de começar.

Chorão é apontado pelas polícias do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte como o segundo homem na hierarquia do Comando Vermelho no estado potiguar. Não era um soldado de boca de fumo. Segundo as investigações, ele ocupava posição estratégica como elo operacional entre o crime organizado carioca e a estrutura do CV no Nordeste, viabilizando o trânsito interestadual de drogas, armas de fogo e ordens da cúpula da facção. Contra ele pesava mandado de prisão por tráfico de drogas.

Quando estava no Rio de Janeiro, alternava esconderijos entre comunidades da Rocinha, na Zona Sul, e do Complexo do Alemão, na Zona Norte. Quando estava no Rio Grande do Norte, atuava como braço direto da liderança máxima da facção, articulando logística e coordenando ações em um estado que se transformou em palco de disputas violentas entre o CV e o grupo rival Sindicato do Crime.

Nas redes sociais, Chorão não fazia questão de discrição. Ostentava joias, festas, roupas de grife e, segundo relatos policiais, até armamentos. Um padrão de vida incompatível com qualquer atividade formal e que, paradoxalmente, alimentou o monitoramento que levou à sua captura. Os investigadores da Draco já o acompanhavam havia dias quando identificaram, por inteligência, que ele estaria no Maracanã na noite do jogo.

A ação foi cirúrgica. Agentes se posicionaram nos acessos do estádio disfarçados de torcedores e o abordaram no momento exato da entrada, impedindo qualquer reação. Dada a gravidade do caso, Chorão não foi levado ao Juizado Especial Criminal que funciona no Maracanã em dias de jogo, sendo conduzido diretamente a uma delegacia fora do estádio para formalização da prisão.

A captura não foi um caso isolado. Horas antes, na mesma quarta-feira, a Draco já havia prendido em Macaé, no Norte Fluminense, outro líder do CV no Rio Grande do Norte: Jackson Matheus da Silva Moreira, o "Professor", apontado como responsável pelo braço armado da facção no estado. Duas lideranças de alta periculosidade capturadas em menos de 24 horas, em uma operação coordenada entre as polícias civis do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte.

 

Enquanto Chorão era algemado na rampa do Maracanã, dentro do estádio o Flamengo vencia por 1 a 0, com gol de Pedro, e garantia vaga antecipada nas oitavas da Libertadores. Para os torcedores, foi noite de festa. Para as forças de segurança, foi a conclusão de um trabalho de inteligência interestadual que desarticulou, em um só dia, dois dos principais nomes do Comando Vermelho no Rio Grande do Norte. A pergunta que fica é quanto tempo essa lacuna na cadeia de comando levará para ser preenchida.

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