O julgamento sobre a morte de Diego Maradona ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (22). Pablo Ferrari, perito oficial da Assessoria Pericial de San Isidro, afirmou em depoimento ao Tribunal Oral Criminal nº 7 que não é possível descartar que o ex-jogador tenha morrido em decorrência da Covid-19. O especialista também contestou a versão de que o argentino teria permanecido por cerca de 12 horas em agonia antes de morrer.
Segundo Ferrari, Maradona teria sofrido um quadro súbito, envolvendo infarto, arritmia e edema agudo de pulmão, que provocou sufocamento. O perito afirmou que o acúmulo de líquido nos pulmões teria ocorrido em um intervalo curto e considerou difícil sustentar, do ponto de vista médico, que o ex-jogador tenha passado horas nesse estado.
A avaliação apresentada pelo perito diverge da conclusão da junta médica formada por 20 profissionais e da tese sustentada pela acusação. Segundo a Promotoria-Geral de San Isidro, Maradona apresentava sinais de agonia e não teria recebido o monitoramento necessário nas horas que antecederam sua morte, em 25 de novembro de 2020.
Durante o depoimento, porém, Ferrari reconheceu uma limitação em sua análise: ele não leu integralmente o relatório médico de Maradona. De acordo com o próprio perito, parte da documentação estava ilegível por ter sido escrita à mão. O caso envolve sete profissionais de saúde que cuidavam do ex-jogador e são acusados de homicídio culposo. Se condenados, eles podem receber penas de oito a 25 anos de prisão.
O processo está novamente em sua reta final após o primeiro julgamento ter sido anulado em maio de 2025. A decisão ocorreu depois de questionamentos sobre a participação da então juíza Julieta Makintach em um documentário sobre o caso enquanto integrava o tribunal. A previsão é de que os réus prestem novos depoimentos em 29 de setembro, enquanto as alegações finais da acusação estão marcadas para outubro.