Uma apuração da Revista Oeste, divulgada durante o programa Oeste Sem Filtro, revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça estaria enfrentando pressões nos bastidores da Corte. As ações visariam isolá-lo e fragilizar sua atuação como relator de investigações de grande impacto, como os inquéritos que envolvem o Banco Master e as denúncias de irregularidades no INSS.
Segundo o repórter Cristian Costa, os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino teriam abordado interlocutores e empresários com o objetivo de afastá-los de Mendonça. No relato apresentado, Dino teria advertido um empresário do setor de saúde de que poderia atuar contra seus interesses e contra o próprio setor, citando como exemplo o alcance de suas decisões no processo sobre emendas parlamentares. Já Gilmar Mendes teria pressionado um empresário do setor de comunicação a interromper contatos e pontes de aproximação com o relator.
Repercussão e posicionamento das autoridades
Procurados pela reportagem da Revista Oeste, os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino preferiram não se manifestar sobre o assunto. Por outro lado, a assessoria do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, manifestou-se a respeito de apurações paralelas sobre jantares em Brasília, negando qualquer participação em tratativas ou conversas direcionadas a interferir no trabalho de Mendonça.
Durante o programa, os comentaristas Ludmila Lins Grilo, Adalberto Piotto e Augusto Nunes analisaram os desdobramentos da denúncia. Piotto destacou a gravidade das acusações sobre agentes públicos de alta relevância, frisando que a sociedade exige transparência e esclarecimentos. Já Augusto Nunes ressaltou que André Mendonça tem mantido uma postura independente na condução dos inquéritos sob sua relatoria.
O sigilo dos inquéritos e o período eleitoral
Questionada sobre a manutenção do segredo de justiça nos processos conduzidos por André Mendonça, a jurista Ludmila Lins Grilo explicou que o sigilo judicial é um instrumento técnico fundamentado. Ele serve para evitar a ocultação de provas, a fuga de investigados ou a frustração de diligências em andamento conduzidas pela Polícia Federal, sem qualquer relação com estratégias políticas.
Ela enfatizou ainda que o calendário eleitoral não deve paralisar ou alterar o ritmo das investigações de crimes cometidos. A condução dos processos deve seguir estritamente o rito legal, garantindo que o público e as autoridades tenham acesso às informações à medida que as provas forem consolidadas de forma segura.