O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar as casas de apostas e cobrou mudanças na gestão dos clubes brasileiros. Em discurso à imprensa na noite desta quinta-feira (8), em Brasília, o petista questionou as equipes que se posicionam contra o fim das bets, mas ainda não se transformaram em Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).
Lula defendeu a medida provisória que proíbe as apostas online no país e afirmou que o dinheiro destinado a despesas básicas das famílias não deve ser usado para enriquecer empresas do setor. “Enquanto eu for presidente, nós não vamos permitir que o leite, o pão e o feijão da família sejam utilizados para enriquecer e para lavagem de dinheiro nesse país”, declarou.
Ao abordar a relação entre futebol e apostas, o presidente argumentou que os clubes precisam buscar outras formas de financiamento. “Os times podem virar empresas. Vocês estão lembrados que há três décadas todo mundo só falava em virar empresa. Agora pode virar empresa, por que não estão virando?”, questionou. Lula também afirmou que o futebol brasileiro já conquistou títulos mundiais antes da chegada das bets e criticou a dependência financeira dos torcedores.
A discussão ganhou força após a proibição das casas de apostas, que patrocinam clubes, competições e outros agentes do futebol nacional. Durante partidas da 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, equipes ligadas à Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) divulgaram um manifesto contrário à medida, com a mensagem “Proibir não é proteger” nas placas publicitárias dos estádios.
O Flamengo também levou a manifestação para o uniforme durante o empate contra o Santos, na quinta-feira. Em meio à disputa entre governo e representantes do setor, Lula reforçou que os clubes terão de encontrar alternativas para financiar suas atividades sem depender das plataformas de apostas.