Foto: Magnus Nascimento
A indefinição sobre o local da tradicional Feira do Milho, realizada nos últimos anos com apoio do Governo do Estado, tem preocupado agricultores e comerciantes às vésperas dos festejos juninos. Sem um espaço definido para comercializar a produção, produtores relatam prejuízos e afirmam que parte da safra já está se perdendo no campo. Até o momento, não há prazo nem local definido. As informações são da Tribuna do Norte.
Diferentemente dos anos anteriores, a tradicional Feira do Milho não está funcionando nem na área do Centro Administrativo nem no cruzamento da Mor Gouveia com a Jaguarari. Nesta segunda-feira (8 de junho), feirantes se reuniram com representantes do poder público para buscar uma solução para a realização da Feira do Milho. No entanto, segundo os comerciantes, não houve avanço nas negociações.
Durante o encontro, a Secretaria de Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf) teria proposto que a feira fosse realizada em um terreno ao lado do mercado. A alternativa, porém, não agradou aos feirantes, que afirmam que a estrutura não é adequada para a circulação dos caminhões utilizados no transporte da produção. Eles também apontam que o terreno não está capinado nem preparado para receber comerciantes e consumidores.
A agricultora Beatriz Graciano está sem ter onde vender a produção. Segundo ela, as feiras do milho já chegaram a reunir cerca de 40 barracas no espaço ao lado do Mercado da Agricultura Familiar. “Era naquele estacionamento e no Mercado da Agricultura Familiar todinho. Para você ter noção, meu bisavô vendeu nesta feira. Era um movimento muito bom mesmo”, relata.
De acordo com a produtora, a feira perdeu força ao longo dos anos. O número de participantes caiu para 14 famílias, cada uma responsável por uma barraca. Posteriormente, a comercialização foi transferida para a Arena das Dunas, mas o movimento não correspondeu às expectativas. “O movimento lá era muito fraco”, afirma.
Sem a feira, muitos produtores ficam à mercê dos atravessadores — intermediários que compram a produção diretamente no campo para revendê-la nos centros urbanos —, geralmente por valores muito abaixo dos praticados no mercado consumidor.
Ela acrescenta que os agricultores também enfrentam dificuldades para escoar toda a produção. “As feiras que não têm ponto fixo não suportam a quantidade de milho que a gente planta.”
A incerteza também tem gerado dúvidas entre os consumidores. De acordo com a agricultora, ela recebe diariamente dezenas de mensagens e ligações de clientes em busca de informações sobre a realização da feira. “São de 20 a 30 pessoas perguntando todo dia onde vai ser a Feira do Milho. Quando a gente está na feira, o pessoal também pergunta se ela vai acontecer este ano”, relata.
Enquanto aguardam uma definição, alguns produtores já contabilizam perdas. Segundo Beatriz, parte da produção está secando no campo por falta de condições para a colheita e comercialização. “A gente se programa para tirar a mercadoria durante o decorrer do mês e está vendo o milho secar. O milho secou no pé. É um prejuízo muito grande tanto para ele quanto para a gente, que está sem vender e sem trabalhar”, afirma.
Em nota, a Sedraf/RN afirmou que a responsabilidade de execução da feira é dos comerciantes, cabendo ao estado a função exclusiva de apoio logístico. “Com relação ao espaço físico, também nos colocamos à disposição, no sentido de contribuir para buscar uma alternativa que atenda aos interesses de todos os envolvidos”, diz a pasta.
A Sedraf informou que ainda não há definição sobre a data de início nem sobre o local onde será realizada a tradicional Feira do Milho. A pasta afirmou que segue em negociação com os comerciantes para encontrar uma solução que atenda aos feirantes e possibilite a realização do evento durante o período junino.
Mercado absorve parte das vendas no período junino
Enquanto a definição sobre a tradicional Feira do Milho segue em aberto, permissionários do Mercado da Agricultura Familiar afirmam que o movimento para o período junino já começou a crescer desde a última sexta-feira (5), quando começou oficialmente a venda de milhos para a festa junina no mercado.
O espaço funciona diariamente, das 6h às 18h, e, nesta época do ano, recebe uma estrutura ampliada para acomodar a maior procura por milho verde e outros produtos típicos como pamonha, milho cozido e bolo de milho.
Segundo os comerciantes que já atuam no local durante todo o ano, as vendas costumam aumentar entre 60% e 70% no período junino. Atualmente, a espiga de milho é vendida por R$ 1,00 com palha e R$ 1,20 descascada. “O movimento está bom, mas a expectativa é que aumente ainda mais nesta sexta-feira, que vai ter mais gente sabendo”, disse Erivan Ferreira, funcionário da única barraca autorizada a realizar as vendas no mercado.