A sentença que condenou, na última quinta-feira (20), Hytalo Santos e o marido, Israel Vicente, conhecido como Euro, apontou que o influenciador digital pagou uma cirugia plástica e uma tatuagem para duas jovens que ficavam sob sua responsabilidade.
Segundo o documento, Hytalo custeou um procedimento de silicone nos seios de uma adolescente e pagou por uma tatuagem com a expressão "Bon appétit" acima das nádegas de outra menina.
A Justiça indicou que "os corpos das adolescentes eram veiculados nas redes sociais com conotação erótica e sensual, eram coisificados sexualmente para o aumento de visibilidade e, consequentemente, de lucro."
Jovens como "moeda de troca"
O Tribunal de Justiça da Paraíba condenou Hytalo Santos e Euro por exploração de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. Segundo a sentença, os jovens eram usados como "moeda de troca" para obtenção de lucros com vídeos produzidos e divulgados pelo casal na internet.
Como prova testemunhal, a decisão corroborou com o depoimento de denúncia de outro influencer, Felipe Bressanim, mais conhecido como Felca. O criador de conteúdo apontou que a dupla "adultizava" os adolescentes.
Segundo ele, os homens “os divulgavam nas plataformas digitais e que esses vídeos tinham conotação eróticas e pornográficas com fim de obter lucro". Felca ainda disse que a "moeda de troca" era a audiência, e que “coisas “diferentes” atraíam maior público e usuários.
Durante uma das sessões da sentença, é constatado que "a prova digital que consta dos autos demonstra de maneira cristalina que os réus utilizavam os adolescentes como “moeda de troca”, visando audiência e lucro como bem falou a testemunha Felipe Bressamin, em um claro processo de "adultização" de adolescentes.
Condenação
Hytalo e Euro foram denunciados pelos crimes em 2025 e foram condenados, neste domingo (22). As condenações são de 11 anos e 4 meses de prisão e 8 anos e 10 meses de prisão, respectivamente.
Quanto à pena de multa, foi fixado em 360 dias-multa, na base de 1/30 do salário-mínimo atual, levando em consideração a capacidade econômica do casal.
Além disso, foi atribuído pagamento de indenização por danos morais, em R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). O valor se dá porque os danos morais devem ser suportados pelas plataformas digitais. A responsabilidade civil deve, também, recair sobre as empresas.
A prisão preventiva dos réus ainda foi mantida na decisão.
Defesa legal e de filha de Hytalo
A defesa de Hytalo manifestou por meio de um comunicado oficial critica decisão, que apresentou provas e testemunhas que atestaram a inocência do influenciador.
"Decisão que, lamentavelmente, revela não apenas fragilidade jurídica, mas também traços inequívocos de preconceito. Ao longo de toda a instrução processual, a defesa apresentou argumentos consistentes, lastreados em provas e nos próprios depoimentos colhidos em juízo – inclusive de testemunhas arroladas pela acusação e das supostas vítimas – que afastam a tese acusatória", diz trecho da nota da assessoria Jurídica de Hytalo Santos e Israel Vicente.
A defesa afirma que mesmo com a sentença aplicada pela Justiça, está mantido, na próxima terça-feira (24), um julgamento do habeas corpus do influenciador, conforme noticiado pela CNN Brasil. O processo corre em segredo de Justiça.
A influenciadora Kamyla Maria, conhecida como Kamylinha, filha adotiva de Hytalo, alegou em seu perfil do Instagram que a condenação é fruto de racismo e homofobia.
"Todo mundo sabe que o Brasil é um país injusto, mas só quem vive a dor do preconceito sabe o que é. Fiquei muito abalada quando vi isso, porque sei de toda a dor e sofrimento que uma pessoa negra e gay sofre no Brasil, mas sei que a justiça não fechará os olhos para isso', alega Kamylinha.