O governo federal criticou nesta sexta-feira (29) integrantes da família Bolsonaro após articulações nos Estados Unidos relacionadas ao combate ao crime organizado no Brasil. A reação ocorreu depois de o governo norte-americano anunciar que pretende classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que a medida pode representar interferência externa em assuntos internos do Brasil e alertou para possíveis impactos econômicos e institucionais. O texto também citou riscos ao sistema financeiro brasileiro e ao PIX, criado pelo Banco Central.
Segundo o governo, ações unilaterais podem prejudicar o compartilhamento de informações entre forças de segurança e afetar políticas nacionais de combate ao crime.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou o caso e disse estar “triste e decepcionado” com a decisão dos Estados Unidos. Durante evento em Sergipe, afirmou que os brasileiros “não aceitarão ser tratados como moleques”.
A crise ganhou força após o senador Flávio Bolsonaro (PL) se reunir nesta semana com o presidente dos EUA, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Flávio afirmou ter pedido que PCC e CV fossem classificados como grupos terroristas.
O governo brasileiro defendeu que as facções atuam com foco em lucro por meio do tráfico de drogas e armas, e não por motivações ideológicas ou religiosas, como ocorre em organizações terroristas internacionais.
Na nota, o Planalto também destacou ações recentes de combate ao crime organizado, incluindo uma nova legislação que prevê penas de até 80 anos para integrantes de facções e milícias.
Apesar das críticas, o governo afirmou que segue aberto à cooperação internacional no combate ao crime, mas reforçou que “a soberania nacional é inegociável”.