A Maridt Participações S.A. — empresa da qual o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli é sócio e que vendeu sua participação no resort Tayaya ao Fundo Arllen, ligado a Daniel Vorcaro — tem capital declarado de R$ 150 e opera em uma casa na cidade de Marília, no interior de São Paulo.
A noticia é de DANILO MOLITERNO. O ministro Dias Toffoli não aparece no quadro societário declarado à Junta Comercial do Estado de São Paulo. Visto a característica da empresa, somente os administradores precisam constar no documento. São citados como sócios seu irmão José Eugênio Dias Toffoli e seu sobrinho Igor Pires Toffoli.
A sede da empresa, na Rua Doutor Zoroastro Gouveia, é a casa de José Eugênio, segundo o contrato social da empresa. O imóvel fica em uma rua residencial de Marília e apresenta aspectos de desgaste.
Criada em 2020, a Maridt descreve suas atividades como participação societária em empresas e holdings de instituições não financeiras, além de compra e venda de imóveis próprios. Inicialmente, dividia o quadro societário com José Eugênio outro irmão de Toffoli, José Carlos Dias Toffoli. Ele foi destituído em 2023 e substituído por Igor Pires, filho de José Eugênio.
Em uma nota divulgada nesta quinta-feira (12), o gabinete de Toffoli indica que “a Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil”.
Toffoli ainda indica que a empresa foi sócia do Tayaya até o começo do ano passado. A participação foi encerrada por meio da venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e da alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Como mostrou a âncora da CNN Débora Bergamasco, investigadores da PF (Polícia Federal) que apuram o caso do Banco Master confirmaram ter encontrado, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, conversas com menções a pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa do ministro.
Apesar disso, os agentes afirmam ainda não haver elementos suficientes para comprovar se os valores chegaram, de fato, a ser transferidos ao magistrado ou a eventuais intermediários.
“Ademais, o ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, completou o ministro.