O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu nesta quinta-feira (3) o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil), conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil de São Paulo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado e determina o desligamento “a bem do serviço público”. Com informações do g1.
A demissão está relacionada a um processo disciplinar iniciado após uma operação realizada em julho de 2020, na Zona Leste da capital paulista. Na ocasião, uma vítima de sequestro foi libertada e o responsável pelo cativeiro, preso. Segundo a investigação da Corregedoria, Da Cunha chegou depois do resgate e determinou que a ação fosse reproduzida para ser filmada e divulgada nas redes sociais.
De acordo com a apuração, a vítima e o homem preso foram levados novamente ao local do cativeiro para participar da encenação. A gravação contou com policiais, viaturas e equipamentos da corporação e posteriormente foi publicada nas redes sociais do então delegado. A Corregedoria considerou que a estrutura policial foi utilizada para autopromoção.
Da Cunha admitiu ter realizado a reprodução das cenas, mas afirmou que se tratava de uma “reconstituição” da ocorrência. A investigação, porém, apontou que a reprodução não tinha finalidade investigativa adequada e responsabilizou o delegado por abuso de autoridade e constrangimento ilegal.
O Conselho da Polícia Civil recomendou a demissão de Da Cunha em 2022. Como a legislação paulista determina que delegados sejam demitidos pelo governador, o processo permaneceu em análise no governo estadual até a decisão de Tarcísio.
Réu na Justiça
Além do processo administrativo, Da Cunha responde a uma ação criminal relacionada à encenação. A Justiça o tornou réu por abuso de autoridade e constrangimento ilegal. O processo ainda não resultou em condenação.
O parlamentar também responde a outro processo relacionado a uma acusação de violência doméstica envolvendo uma ex-companheira.
Carreira nas redes sociais
Da Cunha ganhou notoriedade ao publicar vídeos de operações policiais na internet e acumulou milhões de seguidores. A popularidade nas redes ajudou a impulsionar sua entrada na política.
Ele foi eleito deputado federal em 2022 e atualmente exerce mandato pela União Brasil. A demissão não interfere no mandato parlamentar, mas encerra seu vínculo com a Polícia Civil e impede que ele retorne à corporação após o período de exercício político.
Após a decisão, Da Cunha afirmou que considera a demissão resultado de “perseguição política”.