A defesa de Raimundo Soares Cutrim, alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal na terça-feira (11), divulgou nesta quarta (12) uma nota pública questionando as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os advogados, Cutrim teria sido alvo das ações por ser apontado como fonte do jornalista maranhense Luís Pablo. A defesa também afirmou que ele é “reconhecidamente inimigo político pessoal” do ministro Flávio Dino.
A notícia é da CNN. De acordo com os advogados, Cutrim já havia sido alvo de medidas determinadas por Dino em julho, incluindo busca e apreensão e prisão preventiva, posteriormente convertida em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A defesa sustenta que, antes mesmo daquela operação, o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão teria recebido informações de pessoas próximas a Dino sobre uma possível prisão. A nota afirma que Cutrim interpretou a situação como um “clima de terror” em meio à disputa eleitoral no estado.
Sobre a nova operação, a defesa afirma que Cutrim teria sido identificado como fonte de reportagens de Luís Pablo relacionadas à suposta utilização irregular de veículos oficiais por familiares de Flávio Dino. Os advogados dizem não ter acesso aos autos, que tramitam sob sigilo, e ressaltam que não podem confirmar nem negar a condição de fonte atribuída ao cliente. A defesa também questionou o fato de as supostas irregularidades denunciadas pelo jornalista, segundo ela, não terem sido apuradas até o momento.
Outro ponto levantado pelos advogados envolve informações sobre movimentações financeiras atribuídas ao jornalista e ao advogado dele. A defesa afirma que os valores mencionados não têm relação com Cutrim e que nenhuma das decisões divulgadas publicamente atribui ao ex-secretário participação nessas transações. Os advogados também invocaram o direito constitucional ao sigilo da fonte e disseram que a medida pode gerar preocupação para jornalistas e pessoas que repassam informações de interesse público à imprensa.
A assessoria de Flávio Dino, por sua vez, negou as acusações apresentadas pela defesa. Em nota enviada à CNN Brasil, afirmou que “jamais houve o uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão” e explicou que um carro blindado teria sido cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, dentro de um acordo de cooperação. Dino também afirmou ser alvo de agressões e ameaças e disse que investigações identificaram monitoramento de veículos particulares dele e de familiares, além de acesso ilegal a informações sigilosas de segurança. Segundo a assessoria, o caso continua sob investigação.