Bronca, pressão e cobranças. Foi para isso que serviu a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a equipe econômica e os "conselheiros", ocorrida nesta quinta-feira (5). A informação é da jornalista Daniela Santos, do Metrópoles.
Após a reunião, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que Lula receberá propostas para fazer os gastos ficarem dentro das receitas, assim que voltar da viagem internacional (Turquia). Além disso, Lula também cobrou sinalizações ao mercado financeiro após semanas de pressão por medidas que garantam o equilíbrio das contas públicas.
Pressionado, Lula falou pela primeira vez sobre o tema nessa quinta durante uma reunião no Palácio do Planalto. Sem citar as tensões com o mercado, ele defendeu que é preciso ter “seriedade” e responsabilidade jurídica e fiscal para atrair investimentos para o Brasil.
Ele também afirmou que a atração de capital depende de uma “economia arrumada”. “Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada”, disse o petista.
A declaração sinaliza um ajuste de tom em relação à postura adotada ao longo do mandato e da campanha eleitoral. Em discursos, Lula costuma fazer duras críticas à Faria Lima, embora tenha dito repetidas vezes que tem compromisso com a responsabilidade fiscal.
Historicamente, o titular do Planalto defende equilibrar a política econômica da gestão com gastos no social. Além da declaração, o petista tem feito gestos com o objetivo de acalmar o mercado.
REUNIÃO E 'CONSELHEIROS'
Estiveram presentes autoridades da área econômica do governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento), Esther Dweck (Gestão e Inovação), além do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Aloizio Mercadante.
Lula também convocou os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, e os economistas Luciano Coutinho (ex-presidente do BNDES), Laura Carvalho e Eduardo Moreira.
O encontro, no entanto, terminou sem uma decisão definitiva. O ministro Dario Durigan afirmou que vai se reunir com outros economistas, representantes da sociedade civil e agentes do mercado para reunir sugestões e apresentar propostas ao presidente.
Lula também gravou pronunciamento no qual aborda a questão das contas públicas. Como mostrou o Metrópoles, na coluna Igor Gadelha, o presidente deve assumir um compromisso com “sustentabilidade” das contas públicas, mas não detalha medidas. A declaração vai ao ar na noite deste domingo (8).
Apesar da pressão, o presidente vai adiar o anúncio de medidas por pelo menos uma semana. A expectativa é que o assunto só volte a ser discutido na volta da viagem que ele fará à Turquia e às Filipinas, para participar da COP31 e da Cúpula da Asean. O petista viaja na segunda (9) e deve retornar no dia 16.