O Ministério Público Eleitoral (MPE) no Ceará ajuizou ação pedindo a cassação do mandato e do diploma de reeleição do deputado federal Yury do Paredão (MDB) e do deputado estadual Davi de Raimundão (MDB), por abuso de poder político e econômico e conduta vedada nas eleições de 2026. Ambos apoiaram a reeleição de Elmano de Freitas (PT) ao governo do Ceará e de Lula (PT) à presidência da República. A informação é do Diário do Poder.
Yury usou como cabo eleitoral Otávio Batista de Souza Silva, irmão de um líder do Comando Vermelho (CV) no Cariri (“Nego Tarso”, preso em 2026). Otávio teria recrutado pessoas ligadas à facção como “ativistas”, que teriam coagido eleitores em pelo menos três bairros de Juazeiro do Norte, sob ameaça de retaliação.
Os dois parlamentares teriam se beneficiado de um esquema de atendimentos médicos (consultas, exames e procedimentos) custeados por emendas parlamentares e pelo SUS, via a “Carreta Conectados pela Cura” (unidade móvel do Hospital e Maternidade São Vicente de Paulo, de Barbalha). O serviço foi associado aos nomes dos políticos e operado com apoio da ONG Instituto Dra. Yanny Brena (ligada à família de Yury, presidida por sua mãe e com domínio apontado por ele). A ação alcançou cerca de 1.850 eleitores e 3.861 procedimentos em 48 dias, com forte concentração em Juazeiro do Norte durante o período eleitoral, formando banco de dados e gerando percepção de “compra de votos”.
Yury obteve 261.291 votos e Davi, 95.814. O MPE pede anulação dos votos, cassação dos diplomas, multa e inelegibilidade por oito anos (incluindo a mãe de Yury e o pai de Davi, ex-prefeito de Juazeiro, Raimundão). Os deputados negam irregularidades ou afirmam não ter sido formalmente notificados.
Apoios políticos destacados:
Ambos integravam o campo de apoio ao governador do Ceará (reeleito no 1º turno com cerca de 53%) e também de Lula, reeleito em segundoturno. O MDB fazia parte da coligação de Elmano; o governador chegou a apoiar publicamente a candidatura de Yury e falar em fazê-lo “o deputado mais votado”. Yury reforçou apoio à reeleição de Elmano, e Davi manteve alinhamento com o grupo (acompanhando visitas e destacando articulações com o governo estadual)
Na disputa presidencial, os deputados apoiavam Lula (PT), que conquistou o quarto mandato (vencendo Flávio Bolsonaro no 2º turno). Yury, eleito em 2022 pelo PL (campo de Bolsonaro), aproximou-se de Lula (fotos, gesto do “L” e votações favoráveis), foi expulso do PL e filiou-se ao MDB com intermediação de Camilo Santana e Elmano. Davi também destacou positivamente a reeleição de Lula.
O caso segue no TRE-CE e pode levar a retotalização de votos, alterando a composição das bancadas.