A empresa Facebook Serviços Online do Brasil, pertencente à Meta proprietária do Instagram e WhatsApp, é a companhia que mais arrecadou recursos de campanhas eleitorais nas eleições brasileiras deste ano. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), registrados do início da campanha em agosto até a última quarta-feira (14), a gigante de tecnologia recebeu R$ 282,4 milhões das contas oficiais das candidaturas. O montante total pode ser ainda maior. Com informações de Folha de S.Paulo
A segunda maior recebedora de recursos eleitorais é a DLocal, empresa de meios de pagamento, que obteve R$ 99 milhões destinados ao impulsionamento de conteúdos também veiculados nas redes da Meta. Em terceiro lugar está a Delta3 Comunicação, com R$ 31 milhões declarados.
Flávio Bolsonaro e Lula lideram repasses para impulsionamento
Entre os candidatos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera os pagamentos diretos à Meta, tendo declarado 13 repasses que somam R$ 7,5 milhões entre 8 e 30 de setembro. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na segunda colocação no envio de recursos diretos à plataforma, com R$ 2,6 milhões declarados. As prestações de contas divulgadas até o momento ainda são parciais.
O serviço de impulsionamento pago é utilizado pelos comitês para direcionar publicações a segmentos específicos de usuários nas redes sociais. As informações detalhadas sobre alcance e valores exatos por anúncio não são divulgadas de forma integral na Biblioteca de Anúncios da Meta, que apresenta apenas faixas estimadas de gastos.
Gastos com redes sociais não garantiram vitórias eleitorais
O levantamento dos maiores pagadores da plataforma aponta que os investimentos em impulsionamento não asseguraram o êxito nas urnas. Entre as dez candidaturas que mais repassaram verbas diretamente à Meta, apenas três saíram vitoriosas no primeiro turno, enquanto cinco foram derrotadas e duas disputam o segundo turno.
- Fernando Haddad (PT): Repassou R$ 2,5 milhões diretamente à plataforma na disputa pelo governo de São Paulo e terminou a disputa no primeiro turno.
- Célio Studart (PSD-CE): Declarou R$ 2,4 milhões à Meta e foi reeleito deputado federal no Ceará.
- Aécio Neves (PSDB): Destinou R$ 2 milhões ao impulsionamento em sua candidatura ao Senado por Minas Gerais e não foi eleito.
- Lindbergh Farias (PT-RJ): Gastou R$ 1,6 milhão e foi eleito para a Câmara dos Deputados.
- Carolina de Toni (PL-SC): Declarou R$ 1,6 milhão em impulsionamento e conquistou uma vaga no Senado por Santa Catarina.
- Wellington Fagundes (PL-MT): Destinou R$ 1,5 milhão à empresa e foi superado na disputa ao governo de Mato Grosso.
- Alexandre Curi (Republicanos-PR): Gastou R$ 1,4 milhão na campanha para o Senado e não se elegeu.
Investigações e questionamentos sobre atuação da empresa
A atuação da Meta nas eleições brasileiras é objeto de apuração e questionamentos por parte de órgãos oficiais e entidades civis. O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação para apurar denúncias da campanha do PT sobre a remoção não explicada de conteúdos do partido. O laboratório NetLab, da UFRJ, apontou indícios de veiculação de anúncios políticos pagos no exterior, prática proibida pela legislação eleitoral. A empresa declarou que os conteúdos identificados foram regularizados ou removidos.
Ademais, relatórios da ONG Sleeping Giants Brasil indicaram eventual favorecimento de perfis bolsonaristas nos algoritmos de distribuição da aba reels. Relatórios internos da própria empresa revelaram que funcionários tinham ciência de restrições no sistema que limitaram a campanha petista no período eleitoral.
Em nota oficial enviada à imprensa, a Meta negou qualquer interferência no processo eleitoral brasileiro e atribuiu as limitações relatadas a "incidentes técnicos". De acordo com a empresa, a falha afetou milhares de anunciantes em diversos países e foi corrigida após a reversão de uma atualização de código ocorrida no início de outubro.