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Política

[VIDEO] "Bandido vai ter medo de andar na rua": Flávio avança sobre bandeira da segurança e ameaça espaço ocupado por Ronaldo Caiado

Flávio Bolsonaro

Mesmo sendo um dos nomes mais associados à segurança pública no campo da direita, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, começa a ver esse protagonismo ser disputado por um discurso mais direto, popular e emocional: o de Flávio Bolsonaro. 

Em discurso no Ceará (assista acima), Flávio adotou uma linguagem dura contra facções criminosas, defendeu o endurecimento penal e apresentou a segurança pública como eixo central de uma eventual volta do bolsonarismo ao poder. A fala, marcada por expressões de impacto e apelos ao medo cotidiano da população, mira diretamente um tema que costuma render dividendos eleitorais entre eleitores conservadores.

Logo no início, Flávio afirmou que o Ceará estaria “entregue aos narcoterroristas” e disse que seria necessário “devolver as ruas para o povo trabalhador”. A escolha do termo “narcoterroristas” não é casual: ela amplia o enquadramento do crime organizado, aproximando facções como PCC e Comando Vermelho de uma ameaça nacional, quase militar, e não apenas policial.

“Eu quero pau em bandido. Ele passa a mão na cabeça de bandido”, afirmou Flávio, ao comparar sua posição à do presidente Lula.

A frase resume a estratégia do senador: simplificar o debate da segurança em uma oposição direta entre proteção ao cidadão e tolerância com o crime. É um discurso de fácil assimilação, forte apelo popular e alto potencial de viralização.

Nesse terreno, Flávio Bolsonaro começa a disputar espaço com Ronaldo Caiado. O governador goiano construiu reputação nacional com uma imagem de gestor duro na segurança pública, especialmente pelo discurso de enfrentamento ao crime em Goiás. Mas, enquanto Caiado carrega uma marca mais administrativa e estadual, Flávio busca nacionalizar o tema com uma retórica de guerra contra facções, proteção das mulheres, punição severa para criminosos e expansão de vagas em presídios.

O senador prometeu abrir mais de 500 mil vagas no sistema prisional, defendeu penas longas para chefes de facção, redução da maioridade penal e castração química para criminosos sexuais. Também afirmou que agressores e assassinos de mulheres devem “mofar na cadeia”.

“Quem tem que ter medo de andar na rua é o bandido, não é a gente”, declarou.

A força do discurso está menos nos detalhes técnicos e mais na comunicação direta com a sensação de insegurança da população. Flávio fala para quem tem medo de sair de casa, para quem vive em áreas dominadas por facções e para quem enxerga o Estado como ausente. É nesse ponto que ele começa a ocupar uma faixa política que Caiado também pretende representar.

Ao associar segurança pública, combate ao PT e defesa da família, Flávio constrói uma narrativa mais ampla: não se apresenta apenas como alguém que quer prender criminosos, mas como o porta-voz de uma reação popular contra o avanço do crime e contra o que chama de conivência do governo federal.

A fala também reforça uma tentativa de transformar a pauta da segurança no principal ativo eleitoral do bolsonarismo. Se Caiado aposta na experiência de gestão, Flávio aposta na identificação emocional. E, em política, especialmente em temas como violência urbana, a emoção muitas vezes chega mais rápido ao eleitor do que os indicadores administrativos.

O resultado é que Ronaldo Caiado, embora continue sendo referência na área, passa a enfrentar uma disputa interna no próprio campo da direita. Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como a voz mais combativa, mais popular e mais alinhada ao sentimento de revolta de parte da população.

No Ceará, diante de uma plateia bolsonarista, o senador deixou claro que pretende transformar segurança pública em uma bandeira nacional do seu grupo político. E, ao fazer isso com linguagem simples, agressiva e mobilizadora, avança sobre um território que até pouco tempo parecia dominado por Caiado.

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