Ao autorizar uma operação da Polícia Federal (PF) contra fraudes milionárias da Fictor, a Justiça Federal de São Paulo determinou a quebra do sigilo bancário e o bloqueio de até R$ 47 milhões em bens do CEO do grupo, Rafael Góis (foto de destaque), e do ex-sócio Luiz Rubini. De acordo com as investigações, a dupla estaria envolvida em fraudes de R$ 500 milhões contra a Caixa Econômica Federal e outros bancos. Com informações do Metrópoles.
Ao todo, 33 pessoas tiveram os sigilos quebrados e os bens bloqueados. Além disso, a Justiça expediu mandados de prisão contra 21 investigados. Entre eles, Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, apontado como o responsável por coordenar a rede de laranjas utilizada pelos dirigentes da Fictor para movimentar dinheiro de forma ilegal.
Como detalhado pelo Metrópoles, Ralado também atuava, de acordo com as investigações, para o núcleo do Comando Vermelho (CV) no interior de São Paulo. Segundo a PF, ele criava empresas de fachada no nome de desconhecidos e utilizava os CNPJs para obter empréstimos bancários que nunca eram pagos.
O esquema envolveria a cooptação de agentes bancários que passavam a colaborar com as operações suspeitas. Mediante o pagamento de propinas de até R$ 30 mil, eles inseriam dados falsos em sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de alto valor e criptoativos, dificultando o rastreamento.
A pedido da Polícia Federal, a Justiça também determinou a quebra do sigilo de 172 empresas supostamente envolvidas no esquema.
Ralado e CV em SP
A atividade criminosa de Ralado foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, interior de São Paulo. A rede de empresas de fachada de Ralado era utilizada, segundo as investigações, para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Meses depois, o MPSP apontou que o Comando Vermelho teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.