A Justiça do Pará condenou o pastor Washington Almeida, da Assembleia de Deus, ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos após ele associar o autismo à atuação do diabo sobre mães e famílias que, segundo sua fala, não teriam proteção espiritual. As informações são da coluna Na Mira, do Metrópoles.
O valor da indenização será destinado a um fundo público de saúde que atende pacientes autistas. A condenação ocorreu em uma ação movida pelo Ministério Público em razão das declarações feitas pelo religioso durante uma pregação em 12 de julho de 2024.
Na ocasião, o pastor relacionou o autismo a uma suposta vulnerabilidade espiritual das mães. As falas foram gravadas e circularam nas redes sociais. “O diabo está visitando o ventre das desprotegidas, daqueles que não têm a graça, a habilidade, a instrumentalidade para saber lidar no mundo espiritual. E ele só procura os vulneráveis, os desassistidos”, declarou.
Na ação, o promotor Luiz Almeida Presotto afirmou que as declarações demonstraram “insensibilidade, despreparo, preconceito e ignorância”. O representante do Ministério Público destacou que a pregação ocorreu em um evento de grande porte, com transmissão ao vivo, e apontou os efeitos da divulgação desse tipo de discurso.
“O fato de um líder religioso, em um evento de grande porte com transmissão ao vivo, atribuir a causa do autismo a uma influência demoníaca, muito além de desrespeitoso, é perigoso, pois perpetua desinformação e estigma social”, afirmou o promotor à Justiça.
Segundo a decisão, Washington Almeida reconheceu que errou e classificou a própria fala como inadequada. O pastor alegou, no entanto, que não teve a intenção de discriminar ou causar danos a ninguém.