A Operação Caatinga Resiste identificou 10.434 hectares de desmatamento ilegal no semiárido brasileiro, sem autorização para supressão de vegetação, distribuídos por nove estados. O balanço preliminar foi apresentado nesta sexta-feira (20), durante coletiva de imprensa em Aracaju.
A ação ocorreu entre os dias 9 e 19 de março de 2026 e mobilizou Ministérios Públicos, órgãos ambientais e forças policiais de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
No Rio Grande do Norte, a operação registrou 106 alertas de desmatamento em áreas de Caatinga. A força-tarefa utilizou dados do MapBiomas, além do cruzamento de bases oficiais como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Sinaflor e as Autorizações de Supressão de Vegetação (ASVs).
Entre os dias 9 e 13 de março, equipes do Ministério Público do Rio Grande do Norte, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e do Batalhão de Policiamento Ambiental fiscalizaram 31 alvos em 17 municípios potiguares, totalizando 825,167 hectares inspecionados. Todas as áreas vistoriadas foram embargadas após a constatação de irregularidades.
A operação no estado resultou na emissão de 8 notificações, 19 autos de infração, 9 embargos, 1 Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e na aplicação de R$ 718.512,18 em multas. Em uma das ações, 21 pássaros que estavam sendo comercializados ilegalmente foram resgatados e devolvidos à natureza.
Dados nacionais
No cenário nacional, a operação fiscalizou 324 alertas de desmatamento identificados por monitoramento remoto via satélite. As ações resultaram, até o momento, no embargo de 6.673 hectares e na aplicação de quase R$ 27 milhões em multas, atingindo cerca de 295 imóveis rurais.
A iniciativa é da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente, por meio do projeto Caatinga Resiste, com coordenação nacional do Ministério Público de Sergipe, responsável pela articulação entre os Ministérios Públicos estaduais.
Os estados com maior área fiscalizada foram Pernambuco (2.752,12 hectares), Ceará (2.062,54 hectares) e Piauí (1.583,32 hectares), concentrando os maiores volumes de desmatamento identificados. As irregularidades envolvem, principalmente, a supressão de vegetação nativa sem autorização válida, além de inconsistências em registros ambientais, como cadastros rurais.
Pressão sobre o bioma
Os dados reforçam a preocupação com a preservação da Caatinga, considerada o terceiro bioma mais desmatado do país e estratégica como sumidouro de carbono.
Após uma alta expressiva em 2024, quando houve perda de mais de 174 mil hectares de vegetação nativa, o bioma registrou redução de 9% no desmatamento em 2025, segundo o sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Apesar da queda, os números apontados pela operação indicam que a pressão sobre a Caatinga segue elevada, exigindo ações contínuas e integradas de fiscalização e controle.