A patente da semaglutida — princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy — expira no Brasil nesta sexta-feira (20), abrindo caminho para a produção de versões similares e uma possível redução de preços ao longo do tempo. Enquanto o Ozempic é indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, o Wegovy é voltado ao combate da obesidade. Com informações do UOL.
O que muda com o fim da patente?
A exclusividade de produção da molécula chega ao fim, permitindo que outras empresas — nacionais e estrangeiras — fabriquem medicamentos com semaglutida. Com isso, o mercado tende a ganhar mais opções de marcas, o que pode pressionar os preços para baixo, embora esse efeito não seja imediato.
A farmacêutica Novo Nordisk, que detinha a exclusividade há cerca de 20 anos, afirmou em nota que o encerramento da patente é “uma etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação” e que está preparada para atuar no novo cenário.
Por que o impacto no preço não é imediato?
Apesar do fim da patente, os novos medicamentos ainda precisam passar pela aprovação da Anvisa, que avalia critérios de segurança e eficácia antes de liberar a comercialização.
Atualmente, a agência tem dois pedidos de registro em análise e outros 15 na fila. Especialistas esperam que o processo seja acelerado, sem comprometer o rigor técnico.
Segundo Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a liberação deve ocorrer ainda neste semestre, mas não imediatamente após a queda da patente.
Novas versões já estão a caminho
Pelo menos quatro farmacêuticas aguardam autorização para lançar seus produtos no Brasil: EMS, Hypera Pharma, Cimed e Biomm.
A EMS informou que seu medicamento é produzido por síntese química e não se enquadra como genérico ou biossimilar, sendo considerado um produto novo.
Hoje, apenas cinco medicamentos com semaglutida estão registrados no país — Rybelsus, Wegovy, Poviztra, Extensior e Ozempic — todos da Novo Nordisk.
Quanto os preços podem cair?
A expectativa é de descontos iniciais em torno de 20%. Segundo Rodrigo Lamounier, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, os novos produtos devem ser similares ou biossimilares.
Diferentemente dos genéricos — que têm desconto mínimo de 35% e não possuem marca — os similares são comercializados com nomes próprios e não são idênticos ao medicamento de referência, o que é esperado no caso de fármacos biológicos.
Os novos medicamentos terão o mesmo efeito?
A expectativa é que sim. De acordo com Lamounier, uma vez aprovados pela Anvisa, os medicamentos com semaglutida devem apresentar eficácia terapêutica equivalente aos produtos originais.
Receita continuará obrigatória
Mesmo com a chegada de opções mais baratas, a exigência de prescrição médica permanece. O uso seguro desses medicamentos depende de acompanhamento profissional.
Posso trocar o remédio por conta própria?
Não é recomendado. A substituição pode ser feita, mas deve sempre passar por avaliação médica. O profissional responsável irá orientar a melhor forma de realizar a troca, garantindo a segurança do paciente.
O que muda para quem já está em tratamento?
Na prática, nada muda de imediato para quem trata diabetes tipo 2 ou obesidade. O acompanhamento médico segue essencial, e qualquer decisão sobre mudança de medicação deve ser feita em conjunto entre médico e paciente.
Como reforça Dornelas, a eventual substituição deve respeitar a autonomia médica e a relação individual com cada paciente.