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Política

"Não pode ser um ringue": Toffoli critica baixaria nas campanhas e cobra foco em propostas

O ministro Dias Toffoli, do STF — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/27/11/2024

Na véspera do segundo turno, o ministro Dias Toffoli, do STF e do TSE, subiu o tom contra o nível das campanhas políticas no Brasil. Durante encontro com observadores internacionais na manhã deste sábado (24), ele defendeu que a Justiça Eleitoral crie mecanismos urgentes para impedir que a propaganda oficial se transforme em um verdadeiro "ringue" de ataques pessoais.

O magistrado lamentou que o eleitor tenha deixado de ouvir planos de governo para assistir a embates ofensivos financiados pelo próprio bolso. Toffoli fez questão de lembrar que o tempo cedido na TV e no rádio gera abatimento de impostos para as emissoras e, por ser custeado com dinheiro público, tem a obrigação de ser usado exclusivamente para o debate de ideias, e não para troca de xingamentos.

O incômodo já havia sido exposto no plenário do TSE na última quinta-feira (22), quando o ministro classificou o excesso de acusações entre os candidatos como "vergonhoso". A posição foi endossada pela ministra Estela Aranha, que criticou a banalização das denúncias envolvendo ligações com o crime organizado e revelou que o tribunal tentou, sem sucesso, apaziguar os ânimos das campanhas.

O clima bélico refletiu diretamente no volume de trabalho dos tribunais: a Justiça Eleitoral já ultrapassou a preocupante marca de 100 mil processos em 2026, com foco em propaganda irregular e prestação de contas.

Em meio a esse cenário tenso, a disputa final entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ainda ganhou um novo ingrediente nos últimos dias. Trata-se do chamado "desafio dos sigilos", embate que tomou forma após o ministro André Mendonça autorizar os presidenciáveis a divulgarem, por conta própria, seus dados bancários, fiscais e telefônicos na reta final.

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