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Brasil

Estilo de vida conectado acelera dores na coluna entre jovens, alerta neurocirurgião

Dor na coluna

A dor na coluna já não é mais um incômodo típico do envelhecimento. Ela tem aparecido cada vez mais cedo — e com intensidade. Para o neurocirurgião e cirurgião de coluna Marco Moscatelli, que atende na Neurolife, em Natal (RN),  a mudança no perfil dos pacientes está ligada não exatamente ao desgaste natural do corpo, mas, sobretudo, ao modo como vivemos hoje. 

A explicação está na transformação silenciosa da rotina contemporânea. “Saímos de uma vida em movimento para uma rotina de imobilidade conectada. A coluna não foi feita para ficar estática; ela precisa de carga e movimento”, afirma. O que se observa, segundo ele, é um envelhecimento funcional precoce, impulsionado por hábitos diários e não pela idade cronológica.

O sedentarismo, aliado ao uso excessivo de telas, aparece como protagonista desse cenário. Entre os fenômenos mais comuns está o chamado Text Neck — a inclinação constante da cabeça para olhar o celular, que multiplica a sobrecarga sobre a região cervical. Soma-se a isso a inibição muscular provocada por longos períodos sentado, muitas vezes em cadeiras e posições inadequadas.

Nem toda dor, ressalta o médico, indica um problema grave. Dores musculares tendem a melhorar com repouso ou alongamentos leves. Mas há sinais que exigem avaliação imediata: dor que irradia para braços ou pernas, formigamento, perda de força ou desconforto persistente durante a noite. “Se a dor acorda o paciente ou limita seus movimentos, não é algo banal”, alerta.

A má ergonomia e a repetição de posturas curvadas moldam o que o especialista chama de uma “epidemia silenciosa”. O corpo se adapta ao que repete — e, ao repetir posturas inadequadas, desenvolve encurtamentos musculares e compressões discais precoces. O resultado aparece cedo, muitas vezes ainda na juventude.

A atividade física surge como principal aliada, mas não sem ressalvas. “O exercício é o melhor tratamento. O problema é quando é executado sem técnica”, diz. Treinos intensos sem preparo, foco excessivo em carga e execução inadequada dos movimentos podem transformar prevenção em lesão.

O componente emocional também tem papel relevante. Estresse e ansiedade aumentam a tensão muscular e ampliam a percepção da dor. “O sistema nervoso é o software que controla a coluna. Muitas vezes, o paciente só melhora quando equilibramos também a saúde mental”, explica.

Para Moscatelli, o maior risco está na banalização do sintoma. Ignorar dores recorrentes pode permitir que inflamações simples evoluam para quadros degenerativos mais complexos, exigindo intervenções invasivas no futuro. “Tratar cedo é preservar mobilidade e qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui.

Confira dicas do Dr. Marco Moscatelli para proteger a coluna no dia a dia:

• Evitar longos períodos sentado sem pausas para movimento

• Manter atenção à postura, especialmente ao usar celular e computador

• Praticar atividade física com orientação profissional e foco na técnica

• Não priorizar carga em detrimento da execução correta dos exercícios

• Observar sinais de alerta como dor irradiada, formigamento ou perda de força

• Cuidar da saúde mental, reduzindo estresse e tensão muscular

• Buscar avaliação médica ao perceber dor persistente ou limitante

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