O mais recente organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol), aponta cinco integrantes com a marca de “procurado”. O quinteto está foragido da Justiça. As informações são do Metropoles.
Eles ocupam posições em áreas sensíveis da organização, como a chamada Sintonia Final da Rua e o Resumo Disciplinar dos Estados e Países. São descritos por investigadores como peças relevantes na engrenagem que mantém a organização ativa fora dos presídios.
Os nomes surgem no mesmo mapeamento que revelou 89 integrantes efetivos na hierarquia do grupo. Ao lado dos chefes presos e dos associados, esses cinco aparecem como quadros ainda ativos, ligados a funções de articulação regional, disciplina interna e coordenação de atividades nas ruas.
A lista dos cinco procurados faz parte do mesmo mapeamento que apontou 37 integrantes do núcleo efetivo da facção em liberdade, representando 42% das principais lideranças identificadas.
São exemplos da engrenagem que opera com funções distribuídas entre prisões e ruas, dentro do modelo organizacional consolidado após a ascensão de Marcola ao comando da facção no início dos anos 2000.
Delinho da Zona Sul
Apontado no organograma como integrante da Sintonia Final da Rua, Everton de Brito Nemésio, o Delinho ou Delinho da Zona Sul, é descrito como liderança de alto nível, responsável por decisões estratégicas em sua área de atuação.
O nome dele aparece associado a investigações recentes envolvendo integrantes da facção na capital paulista. Em decisões judiciais obtidas pelo Metrópoles, sobre lideranças suspeitas de envolvimento em crimes contra rivais e articulações violentas, Delinho é mencionado como integrante relevante no cenário da chamada “rua”, braço externo da facção.
No organograma do Dipol, ele surge como um dos elos diretos com o núcleo máximo de decisões da organização.
O Bandoleiro
Rondenele de Oliveira Marques, o Bandoleiro, aparece vinculado à Sintonia Interna dos Estados e Países, setor descrito como responsável pela expansão e gestão nacional e internacional das diretrizes do grupo.
Eles responde a processos, ainda não encerrados, relacionados a crimes como tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro, nos tribunais de Justiça de São Paulo (TJSP), do Paraná (TJPR) e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
Bonitinho ou Neymar
Danilo Teixeira de Souza, o Bonitinho ou Neymar, aparece no organograma ligado à chamada FM, setor de fiscalização e monitoramento interno, na Baixada Santista.
Em acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, obtido pelo Metrópoles, ele consta como condenado por tráfico de drogas e associação para o tráfico em Santos, litoral paulista. O julgamento, ocorrido em fevereiro de 2017, manteve a condenação com regime fechado, destacando apreensão de grande quantidade de drogas e vínculo com organização criminosa.
Também contra ele consta condenação por lavagem de dinheiro, com referência a bens vinculados às investigações.
R8 ou Ceará
Wendel Bispo Rocha, o R8 ou Ceará, aparece ligado ao Resumo Disciplinar dos Estados e Países, braço da Sintonia Final dos Estados e Países.
Denúncia apresentada pelo MPSP aponta que ele exercia função de apoio ao “Resumo da Disciplinar dos Estados – Externa”, também chamada de “ponteiro”, que significa a pessoa responsável pela comunicação entre a cúpula da facção com a massa carcerária.
Segundo trecho da acusação, interceptações telefônicas indicam participação em articulações ligadas à mobilização de integrantes e organização de eventos atribuídos à facção. O documento menciona ainda que o denunciado teria atuado na coordenação de ações que buscavam mobilização interestadual.
O Cebolinha
Silvio Luiz Ferreira, o Cebolinha, Arrepiado, Cebola, Silvinho ou ainda Equador, aparece como integrante da Sintonia Final da Rua.
Há um processo no TJSP em curso envolvendo seu nome com organização criminosa e outros delitos vinculados à atuação do PCC.
No organograma do Dipol, Cebolinha figura como um dos nomes da estrutura externa da facção, reforçando a divisão entre chefes encarcerados e quadros em liberdade.