O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira (5), que realizará nos próximos dias uma agenda de escuta com opiniões sobre propostas para melhorar a situação fiscal do país. Os encontros serão com economistas, sociedades civil e agentes do mercado. A informação é do Metrópoles.
As ideias para melhora nas contas públicas serão apresentadas ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no retorno da viagem para a Conferência das Partes (COP31), na Turquia, na próxima semana.
Enquanto Lula estiver fora, Durigan fará agenda de escuta com economistas, sociedades civil e agentes do mercado. para encontrar uma proposta de solução para as contas públicas.
“Nós estamos cumprindo etapas. Vou seguir nessa escuta durante a viagem do presidente”, disse o ministro.
Reunião ministerial
A fala de Durigan foi realizada no Ministério da Fazenda logo após ele retornar de uma reunião com Lula sobre o tema. Além de Durigan, foram mobilizados: Geraldo Alckmin (vice-presidente); Bruno Moretti (ministro do Planejamento e Orçamento); Miriam Belchior (ministra da Casa Civil); Fernando Haddad (ex-ministro da Fazenda); entre outros nomes. No encontro, não foram tratadas medidas específicas.
O trabalho de formatação das propostas para o “aprimoramento” das contas públicas, disse Durigan, ficará concentrado nas mãos dele e de Moretti.
Durigan repetiu várias vezes na fala à imprensa que o trabalho vai mirar o respeito aos compromissos de campanha, especialmente os para as pessoas mais pobres, e no “reforço das regras vigentes de controle dos gastos”.
“A mensagem mais importante é que quem investe nesse país não vai ter nenhuma dificuldade quanto a previsibilidade”, disse.
Pressão sobre o governo
A movimentação do governo federal para revisar o Orçamento começou logo após o resultado do segundo turno, que deu vitória a Lula. A pressão sobre o governo, no entanto, aumentou.
Desde que Lula sagrou-se vencedor das Eleições no segundo turno, a bolsa de valores perdeu mais de 30 mil pontos. O dólar que estava abaixo de R$ 5,00 disparou e valia R$ 5,49 na tarde desta quinta.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), dessa quarta, de manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano foi mais um ponto de pressão sobre o governo. A questão é o destaque que o colegiado dos diretores do Banco Central (BC) dá para a política fiscal do governo Lula.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz trecho do comunicado do Copom.
Meta fiscal
Os ajustes no Orçamento de 2027 são necessários para que o governo federal alcance pelo menos o centro da meta fiscal para 2027, ou seja, um superávit primário R$ 73,2 bilhões, o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).