Não existe nenhuma garantia de que as mudanças que Carlo Ancelotti prepara para o jogo contra o Haiti, na sexta-feira (19), na Filadélfia, produzam um Brasil melhor do que o que empatou em 1 a 1 com Marrocos na estreia.
A tendência, na verdade, aponta para o contrário. Ibañez, que foi mal improvisado na lateral direita, deve dar lugar a Danilo, um jogador de 35 anos que é reserva no Flamengo e cuja principal contribuição contra os marroquinos foi entrar no intervalo e declarar depois que "erramos tudo, não jogamos nada".
Igor Thiago, que desperdiçou duas chances claras de gol, sai para a entrada de Matheus Cunha, centroavante que faz boa temporada na Premier League, mas nunca foi testado como titular em competição oficial pela seleção. Casemiro, apontado por veículos europeus como o pior jogador em campo no sábado, pode perder a vaga para Fabinho, que equilibrou o meio-campo quando entrou, mas que também não joga uma Copa como titular desde a Rússia, em 2018.
O problema não é a troca de peças. O problema é que as peças disponíveis não representam uma evolução. Ancelotti está trocando jogadores que foram mal por jogadores que, na melhor das hipóteses, são equivalentes em qualidade e, na pior, são versões menos testadas dos mesmos problemas. Danilo resolve a lateral? Talvez, mas não resolve a falta de velocidade na recomposição defensiva que permitiu o gol de Marrocos.
Matheus Cunha é mais móvel que Igor Thiago? Sim, mas a seleção não criou jogadas suficientes para alimentar nenhum centroavante, independentemente do nome. Fabinho estabiliza o meio? Possivelmente, mas o problema de Casemiro não foi apenas individual, foi a ausência de um esquema tático que protegesse a saída de bola.
O grande problema (a solução, na verdade) é que os nomes que poderiam, de fato, resolver, não são nem cogitados. Endrick e Rayan, por exemplo, podem até ir mal, apesar de que, quando entraram, deram conta do recado. Mesmo assim, nem testados são.
A verdade que ninguém na CBF vai dizer em voz alta é que este elenco tem limitações estruturais que nenhuma escalação resolve em cinco dias de treino. A coluna vertebral da seleção é formada por jogadores que estão no fim de ciclo ou que nunca tiveram regularidade com a camisa amarela.
Ancelotti, treinador de clubes acostumado a trabalhar com elencos prontos durante temporadas inteiras, enfrenta pela primeira vez a realidade de uma seleção: tempo curto, pouco entrosamento e pressão multiplicada por 210 milhões de torcedores.
Contra o Haiti, o resultado provavelmente virá. A diferença técnica entre as equipes é grande o suficiente para que o Brasil vença mesmo jogando mal. Mas o desempenho contra Marrocos deixou claro que este time não tem margem para enfrentar adversários de primeiro nível. E se a seleção passar da fase de grupos jogando no limite contra equipes inferiores, o que acontecerá nas oitavas de final?