Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou em relatos apresentados à Procuradoria-Geral da República (PGR) que teria negociado pagamentos milionários ligados ao Instituto Lula e à produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo informações publicadas pela revista Veja, o banqueiro relatou que cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo seriam destinados a despesas da produção do filme no exterior, além de outros valores para o instituto.
De acordo com Vorcaro, a negociação teria sido articulada por seu então sócio, Augusto Lima, com a participação do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e de interlocutores ligados ao partido. O banqueiro afirmou que o objetivo seria facilitar o acesso do Master a fundos de previdência de servidores públicos federais, incluindo estruturas ligadas ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e à Previ. O documentário citado seria “Lula”, dirigido por Oliver Stone.
EXCLUSIVO | VEJA teve acesso a relatos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro nos quais ele afirma ter negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pagamentos para conseguir acessar os cofres de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo petismo. Vorcaro relata pagamento de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamoto, para financiar a produção de um documentário sobre Lula no exterior, além de outro valor não revelado pago diretamente à instituição. Vorcaro levou detalhes do relato à Procuradoria-Geral da República (PGR), que não deu prosseguimento ao caso sob a justificativa de falta de provas, já que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo. A defesa do banqueiro, porém, afirmou que haveria mensagens de WhatsApp, registros das pessoas que retiraram o dinheiro e informações sobre os locais e rotas utilizadas nas entregas. Para saber mais, acesse o site de VEJA e confira a edição nº 3016, já disponível nas bancas de todo o país. Link na bio. #DanielVorcaro #BancoMaster #Brasil
— VEJA (@VEJA) October 9, 2026
Nos relatos, Vorcaro também mencionou uma suposta cobrança de 10% sobre os recursos que o banco conseguisse captar junto aos fundos. Ele afirmou que operadores ligados ao então ministro Alexandre Padilha e ao secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, teriam participado das tratativas. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro, segundo a publicação, registrariam contatos e tentativas de viabilizar reuniões com dirigentes dos fundos.
A reportagem aponta ainda que o Banco Master entrou, em abril de 2024, na lista de instituições autorizadas a receber recursos dos fundos de previdência estatais. Vorcaro teria relatado o pagamento de R$ 500 mil a um operador no mesmo dia da autorização, como adiantamento de uma suposta propina. Parte das operações, contudo, teria sido suspensa após a divulgação de questionamentos sobre investimentos do banco.
Segundo a Veja, a PGR não deu prosseguimento a essa parte do relato por considerar que não havia provas suficientes para confirmar os pagamentos em espécie. A defesa de Vorcaro teria argumentado que existiriam mensagens, registros de saques e informações sobre rotas de entrega do dinheiro. As alegações descritas na reportagem não equivalem, por si só, à comprovação judicial dos fatos ou da participação dos citados.