Logo 96FM

som+conteúdo

Banner_InterMossoro_1366x244px.gif

Ciro Marques


[VIDEO] PF e PGR rejeitaram conteúdo prévio de delação de Vorcaro

O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República consideraram insuficiente a proposta preliminar de delação apresentada por Daniel Vorcaro há cerca de duas semanas. Segundo fontes ligadas à investigação, o conteúdo inicial foi avaliado como fraco por não trazer novidades em relação ao que já havia sido apurado na Operação Compliance Zero: os fatos e diálogos descritos já eram conhecidos dos investigadores, e Vorcaro não mencionou nomes que estariam no topo da hierarquia da organização criminosa — figuras cujo envolvimento a PF já havia identificado. Diante disso, policiais e procuradores fizeram apontamentos e cobraram do ex-banqueiro informações mais robustas e inéditas.

Em resposta a essa cobrança, a defesa de Vorcaro entregou na terça-feira (5) um pen drive com os anexos detalhados da delação à PGR e à PF, após uma reunião rápida na segunda-feira (4) em que os advogados já haviam apresentado um arquivo com a descrição sumária dos termos, separados por conteúdo temático. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, foi informado da entrega. Segundo interlocutores, a intenção do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, de também fechar um acordo de colaboração acelerou o processo por parte da defesa de Vorcaro. Não há, por enquanto, negociação de delação com o pastor Fabiano Zettel, braço-direito do banqueiro.

Os investigadores agora precisam responder a duas perguntas centrais: o novo material traz inovação? E, se traz, Vorcaro consegue apresentar elementos de prova? A análise deve levar semanas, e nada do conteúdo poderá ser utilizado enquanto o termo de colaboração não for formalmente assinado. A recusa a propostas iniciais e o pedido de complementação são etapas comuns no processo de negociação de delações premiadas.

Peça fundamental para confrontar os termos apresentados por Vorcaro é a análise de seus celulares — e essa perícia ainda não foi concluída. A PF apreendeu oito aparelhos do banqueiro, com extração de dados sendo realizada simultaneamente em Brasília, São Paulo e Minas Gerais. O celular principal, que já foi periciado, continha cerca de 400 gigabytes de dados e 8 mil vídeos, sendo considerado o mais relevante. Os aparelhos utilizados por Vorcaro durante a prisão domiciliar, no fim do ano passado, não agregaram elementos significativos. A perícia ainda tenta extrair o conteúdo de um dos dispositivos, e no mês passado a PF ampliou a equipe de delegados, peritos, agentes e escrivães dedicada à análise do material.

Vorcaro permanece preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Interlocutores da negociação são categóricos: o conteúdo da delação terá que ser contundente para que o acordo seja efetivado. A palavra final caberá ao ministro André Mendonça, que só homologará a colaboração se PGR e PF atestarem a relevância e a veracidade do que o ex-banqueiro tem a oferecer.

 

 

 

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado