O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a classificar as eleições brasileiras como uma “vergonha” nesta quinta-feira (29) e afirmou que não tomou partido durante a campanha a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foi a terceira declaração semelhante do norte-americano nos últimos dias.
Ao responder a jornalistas, Trump disse que pretende conversar em breve com Lula. Os Estados Unidos ainda não haviam parabenizado o presidente brasileiro pela reeleição nem reconhecido oficialmente sua vitória. “Eu assisti à eleição. Não tomei partido. Deixei como estava. Fui orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente”, declarou.
Trump também mencionou o desempenho do mercado brasileiro para justificar sua avaliação negativa sobre o pleito. “Mas quando vi o que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça. Bem, o mercado diz isso. Quer dizer, o mercado deles despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”, afirmou.
Lula havia pedido que os EUA não interferissem na eleição
Em setembro, durante entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, Lula afirmou que Trump havia comunicado que não pretendia se envolver na disputa brasileira. “É esse o papel que eu espero de um presidente da República. Esse é o meu comportamento”, disse o petista, ao defender que as decisões eleitorais cabem à população de cada país.
Na ocasião, Lula relatou ter solicitado diretamente ao norte-americano que os Estados Unidos não interferissem no pleito de outubro. Ao justificar o pedido, destacou os 203 anos de relações diplomáticas entre os dois países e classificou o vínculo como sólido. “É importante que vocês não se metam nas eleições do Brasil, como eu não me meto nas eleições de vocês”, afirmou.
A possibilidade de influência dos Estados Unidos na eleição também foi tema de um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a agência, o risco de interferência havia aumentado para um “nível de criticidade”.
O documento cita registros do governo norte-americano produzidos entre novembro de 2025 e maio de 2026. Na avaliação da Abin, havia uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.