Foto: Júnior Santos
O RN desperdiçou 23,2% de toda a energia renovável que poderia produzir entre janeiro e 20 de julho deste ano, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O índice é o maior do Nordeste e supera a média nacional, de 19,1%, conforme informações da Tribuna do Norte.
Na prática, quase um quarto da energia produzida por parques eólicos e usinas solares deixou de ser aproveitada devido às limitações da rede de transmissão e ao excesso de oferta em determinados períodos. Dos 4.091 MW médios de capacidade registrados no período, 951 MW médios foram cortados.
O setor considera o cenário preocupante. O presidente da Comissão Temática de Energias Renováveis da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), Sérgio Azevedo, classificou a situação como “gravíssima”.
Segundo ele, os cortes reduzem a receita das empresas, diminuem a arrecadação, travam novos investimentos e colocam em risco toda a cadeia produtiva de energias renováveis no estado.
Representantes da Associação Potiguar de Energias Renováveis (Aper), do Sebrae-RN e do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) compartilham da mesma avaliação.
Eles afirmam que as restrições reduzem a confiança dos investidores e comprometem o crescimento de um dos principais segmentos da economia potiguar.
Segundo as entidades, a expansão das linhas de transmissão e dos sistemas de armazenamento não tem acompanhado o ritmo de crescimento da geração eólica e solar.
Em nota, o ONS informou que as restrições são um desafio comum em países com alta participação de fontes renováveis na matriz elétrica.
O órgão afirmou que trabalha em medidas como o reforço da rede de transmissão, a implantação de sistemas de armazenamento e a ampliação da participação de grandes consumidores de energia para reduzir os cortes nos próximos anos.