O PT intensificou, internamente, o debate nos últimos dias sobre a necessidade de o presidente Lula encampar, na campanha à reeleição, a defesa de uma reforma do Judiciário.
A noticia é do portal CNN. O assunto vem sendo abordado nos debates internos pelo presidente da sigla, Edinho Silva, e já foi tratado, inclusive, em uma recente resolução da legenda.
Setores da legenda defendem até mesmo uma PEC (proposta de emenda à Cosntituição) apresentada pelo governo com uma proposta clara que seja defendida também na campanha.
Nesta semana, voltou a ser tratado por Edinho em reunião com as bancadas de deputados e senadores.
Segundo parlamentares presentes, ele falou em debater o assunto antes de, necessariamente, fazer a proposta.
O entendimento é de que a crise no Judiciário, especialmente o envolvimento de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no caso Master, leva a uma descrença nas instituições e no sistema político, criando um ambiente antissistema que prejudica quem está no poder, no caso, o presidente Lula.
Além disso, dada a proximidade do Palácio do Planalto com a Corte, a percepção é de que a crise de imagem e de credibilidade do STF acaba arrastando o governo junto.
O movimento já começa a encontrar respaldo nas bancadas.
No Senado, o líder do PT, Rogério Carvalho (SE), apresentou neste mês um requerimento para que a Casa instale uma Comissão Temporária Interna que discuta, em 90 dias, o “aprimoramento institucional do Poder Judiciário”, considerado um embrião do debate que o partido avalia levar para a campanha à reeleição de Lula.
Um dos expoentes petistas na bancada da Câmara, o deputado Rui Falcão diz apoiar a proposta, desde que ela se insira em um debate maior de reforma do sistema político.
Seria, portanto, uma maneira de conseguir debater a crise do STF por uma ótica distinta da que a oposição bolsonarista faz, defendendo, por exemplo, o impeachment de ministros da Corte.
O assunto, porém, ainda não é unânime no partido e muito menos no Palácio do Planalto.
Interlocutores do presidente Lula relataram à CNN que o presidente não cogita defender qualquer alteração de regras que mexa no terreno alheio.
Além disso, há a avaliação de que defender uma reforma do Judiciário pode confundir o eleitor, já que virou um discurso padrão do petismo a defesa do STF e da forma como a Corte enfrentou o bolsonarismo.