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Brasil

Por que recebemos tantas ligações indesejadas? E como evitar esse tipo de chamada?

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A disputa entre empresas de telefonia em torno de um sistema criado para evitar ligações indesejadas mostra a dificuldade para definir em quais casos é preciso derrubar chamadas logo na origem.

Ao menos sete empresas buscaram a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para reclamar sobre ligações legítimas derrubadas pelo "anti-spam" da Vivo, que alega bloquear apenas quem faz chamadas em massa e sem identificação.

O sistema promete criar uma camada de proteção adicional contra ligações excessivas. E, em alguns casos, resolve um problema que não foi solucionado nem mesmo com ferramentas como o "Não Me Perturbe", criado para acabar com o telemarketing de operadoras e bancos.

Mas por que tanta gente ainda é impactada por chamadas indesejadas? A resposta está na limitação do "Não Me Perturbe", na possibilidade de adulterar números de origem e no período de transição de um sistema que pode ao menos acabar com as chamadas fraudulentas.

Batizado de "Origem Verificada", ele faz uma autenticação em tempo real das ligações e garante que o número exibido no seu celular é, de fato, de uma empresa legítima. O sistema autenticou 6,6 bilhões de chamadas em junho de 2026, segundo a ABR Telecom.

A Anatel obriga empresas que fazem mais de 500 mil ligações por mês a aderirem ao sistema. Mas a exigência para que todas usem a ferramenta só começará em 2028. 

Por que ligações indesejadas são tão comuns?
Muitas das ligações indesejadas são automatizadas e não têm uma pessoa do outro lado da linha. Conhecidas como "robocalls", essas chamadas ficam mudas e caem sozinhas depois de alguns segundos.

Isso acontece porque empresas ligam para vários números ao mesmo tempo: quando alguém atende, as demais chamadas são encerradas. A estratégia serve ainda para call centers verificarem números que estão ativos e enriquecerem suas listas de contatos.

Autores de ligações excessivas chegam até mesmo a adulterar seus números para que eles fiquem parecidos com os de linhas telefônicas comuns e não sejam bloqueados pelas operadoras.

É o chamado "spoofing numérico", que pode ser feito por meio de servidores VoIP (sigla em inglês para "Voz sobre Protocolo de Internet"), programas de computador que se conectam à rede de telefonia via internet.

Servidores VoIP são usados para gerenciar ramais de empresas, mas a possibilidade de alterar o número de origem atrai pessoas com interesses indevidos.

Como diminuir ligações indesejadas
O "Não Me Perturbe" promete acabar com ligações indesejadas de todas as empresas de telefonia, obrigadas a se adequarem ao sistema, e de 74 instituições financeiras, que aderiram ao programa de forma voluntária.

O cadastro pode ser feito no site www.naomeperturbe.com.br e começa a valer em até 30 dias. Mas lembre-se: algumas chamadas podem continuar acontecendo porque golpistas e algumas empresas de vendas ignoram o cadastro.

Alguns celulares Android têm recursos para identificar e bloquear chamadas suspeitas. A ferramenta costuma ser encontrada ao acessar a página de "Configurações" e pesquisar por "Proteção ID" ou "Spam".

O iPhone, por sua vez, tem o recurso "Perguntar motivo da ligação", que faz todas as chamadas serem atendidas automaticamente por um robô.

Uma alternativa é baixar aplicativos de identificação de chamadas como o Whoscall e o Truecaller, que podem mostrar quem realmente está ligando e bloquear chamadas. Os serviços podem cobrar por recursos avançados.

A Anatel também orienta consumidores a registrar reclamações, caso o problema não seja resolvido. A denúncia pode ser feita neste link.

A agência indica ainda a plataforma "Qual Empresa Me Ligou", que permite verificar o nome e o CNPJ de quem fez a ligação. Acesse www.qualempresameligou.com.br, digite o número, clique em "Sou humano" e selecione "Consultar".

 

Com informações de g1

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