A quatro dias do primeiro turno, o PL intensificou uma campanha para recrutar fiscais de urna e ter representantes do partido acompanhando a votação pelo país. A legenda prorrogou um cadastro virtual para que apoiadores atuem neste domingo (4). Com informações do Metrópoles.
O esforço havia sido anunciado pelo candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Em uma transmissão ao vivo, o senador disse que queria ter “gente nossa” espalhada no país para “evitar que pessoas mal-intencionadas votem no lugar de outras e façam alguns tipos de atitudes ilegais”.
Pelas regras eleitorais, os partidos têm direito a fiscalizar a votação e a apuração. Cada um pode indicar até dois fiscais por mesa receptora. Eles podem acompanhar os trabalhos, apresentar questionamentos e contestar procedimentos, inclusive a identidade de um eleitor.
Ao anunciar a mobilização, em 17 de setembro, Flávio afirmou que recrutaria apoiadores para “fazer a fiscalização das urnas, em especial no momento em que a urna fechou”.
“A gente tem de ter gente nossa, pelo Brasil inteiro, fiscalizando para evitar que pessoas mal-intencionadas votem no lugar de outras e façam alguns tipos de atitudes ilegais como essas aí”, destacou o candidato.
A Justiça Eleitoral adota procedimentos para confirmar a identidade de quem comparece à seção. O eleitor apresenta um documento oficial com foto, conferido pelo mesário. Há também a biometria. Se ainda houver dúvida sobre a identidade, ela pode ser contestada antes do início do voto.
A iniciativa do PL ocorre depois de anos de questionamentos às urnas eletrônicas feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e por aliados. Em 2022, por exemplo, Bolsonaro reuniu embaixadores para levantar suspeitas, sem provas, sobre o sistema de votação.
Flávio também levou o tema a diplomatas. Em julho, o candidato repetiu uma afirmação falsa ao dizer que equipamentos usados no Brasil teriam a mesma origem das máquinas da empresa venezuelana Smartmatic. Também citou um relatório da CIA segundo o qual a companhia estaria envolvida em um plano do governo venezuelano para fraudar as eleições de 2012.
No mesmo encontro, o senador fez um apelo para que outros países enviassem observadores para acompanhar as eleições brasileiras.
O TSE informou que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem os programas usados nos equipamentos brasileiros. A Corte Eleitoral também diz que, desde a adoção das urnas eletrônicas, em 1996, não houve fraude comprovada.
À época, a campanha de Flavio Bolsonaro argumentou que ele não colocou em dúvida o processo eleitoral brasileiro.
Para colocar a atual mobilização em prática, o PL criou uma página exclusiva para recrutar voluntários. O site pede que os interessados tenham disponibilidade durante todo o dia da eleição e orienta os fiscais a acompanhar os trabalhos desde a emissão da zerésima, antes do primeiro voto, até a divulgação do boletim de urna após o encerramento da votação.
O partido também orienta os fiscais a observarem a identificação dos eleitores e o andamento da votação e a relatar possíveis irregularidades.