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Esporte

Novas regras contra cera já mudam rotina do Brasileirão e aumentam tempo de bola rolando

Bola do Brasileirão 2026 — Foto: Gilson Lobo/AGIF

As mudanças nas regras do futebol adotadas para combater a chamada “cera” e outras formas de anti-jogo já começaram a produzir efeitos no Campeonato Brasileiro. Um levantamento do Gato Mestre aponta que 38 aplicações das novas medidas foram registradas em 62 partidas desde a 23ª rodada, quando as normas passaram a valer.

Uma das novidades é a chamada “Lei Vini Jr.”, que determina a expulsão de jogadores que cubram a boca durante uma comunicação considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória com adversários. A regra foi aplicada duas vezes: com Arthur Cabral, do Botafogo, na derrota para o Vitória, e com Breno Lopes, do Coritiba, no empate em 3 a 3 com o Athletico-PR. Também foram registradas quatro punições por demora superior a cinco segundos em laterais e tiros de meta, além de três casos envolvendo jogadores que ultrapassaram os dez segundos permitidos para deixar o campo após uma substituição.

Outro efeito significativo aparece nos atendimentos médicos. Segundo o levantamento, as paralisações envolvendo goleiros caíram 65% após a mudança. Foram 88 atendimentos em 215 jogos antes das novas regras, contra nove em 62 partidas desde a implementação. Em algumas situações, o jogador que recebe atendimento precisa permanecer fora do campo por pelo menos um minuto, deixando sua equipe temporariamente com um atleta a menos.

A medida também fez jogadores optarem por não receber atendimento para evitar a saída temporária. Foi o que aconteceu com Marlon, do Remo, diante do Coritiba. O lateral ficou caído após uma dividida, mas dispensou a assistência médica quando a arbitragem se aproximou. Somando os atendimentos de jogadores de linha, foram outros 20 casos em que atletas precisaram deixar o gramado por pelo menos um minuto. O tempo médio fora foi de 1 minuto e 13 segundos, e nenhum gol ocorreu durante esses intervalos, segundo o levantamento.

O principal reflexo, porém, aparece no tempo efetivo das partidas. Estudo encomendado pela CBF aponta que a bola passou a rolar, em média, 4 minutos e 49 segundos a mais por jogo. A média subiu de 53min54s para 58min43s, um crescimento de 5,9% no tempo de bola em jogo. As novas regras, portanto, já alteram a dinâmica do Brasileirão em cobranças, substituições, atendimentos médicos e comportamentos durante as partidas.

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