Com 1,95 m de altura, a modelo britânica Charlie Mill, de 31 anos, transformou um trunfo nas passarelas em um desafio na vida pessoal. Dividindo a rotina entre Inglaterra e Espanha, ela relata que sua estatura, alcançada ainda aos 14 anos, influencia diretamente a forma como é vista, tratada e julgada fora do mundo da moda.
Em entrevista ao Daily Star, Charlie contou que já foi abandonada em encontros logo após ser vista pessoalmente. Em um dos casos, o homem desistiu ao perceber que sua cabeça quase tocava o teto e depois afirmou que deveria ter sido “avisado”. Situações semelhantes a levaram a sentir a obrigação de alertar pretendentes sobre sua altura, ainda assim muitos cancelam por insegurança ou medo de chacota.
Além da rejeição, a modelo afirma ser frequentemente fetichizada e rotulada como “mulher gigante”, o que dificulta conexões reais. Ela também relata comentários ofensivos que questionam sua feminilidade, reforçando padrões de gênero que associam mulheres delicadas a estaturas menores e homens à ideia de superioridade física.
Charlie diz que esse estigma a acompanha desde a infância, quando sofreu bullying e agressões na escola. Hoje, apesar de mais resiliente, admite que ainda se sente indesejada em alguns contextos. Mesmo assim, decidiu não abrir mão de quem é — nem de usar saltos — para caber em expectativas alheias.
O relato viralizou e gerou identificação entre mulheres altas, levantando debates sobre machismo, padrões estéticos e aceitação do próprio corpo. Para Charlie, o problema não é sua altura, mas a insegurança de quem não sabe lidar com mulheres que “ocupam espaço”.