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Política

Governo Lula já preparava reação a possíveis ataques de Milei

xavier milei | Gabriel Luengas/Europa Press via Getty Images

O governo do presidente Lula já se preparava internamente para possíveis ataques do presidente da Argentina, Javier Milei. O mandatário esteve no Brasil durante o fim de semana para participar da convenção do Partido Liberal (PL), no sábado (25), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A informação é do Metrópoles.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, Milei chegou ao Brasil na sexta-feira (24) e ficou no país até o fim de sábado. Durante a passagem pelo território brasileiro, não houve pedido de agenda com nenhuma autoridade do governo federal, embora a visita tenha sido comunicado com o objetivo de resguardar a segurança do presidente argentino.

A avaliação do Planalto é de que não seria feita nenhuma manifestação oficial sobre a visita, com exceção a reações a possíveis ataques por parte do líder argentino.

“Se houver algum ataque, seja às instituições brasileiras, às urnas ou ao processo eleitoral no Brasil, haverá resposta”, informou um interlocutor do presidente Lula em caráter reservado.

Milei foi uma das figuras políticas que discursaram na convenção nacional do PL. Durante sua manifestação, o mandatário fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem ele chamou de “lixo careca“, e se referiu ao presidente Lula como “ladrão” e “presidiário”.

“O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso, embora eu saiba que Lula recebia constantemente líderes estrangeiros enquanto estava na cadeia, inclusive aquele ex-presidente argentino desastroso, Alberto Fernández”, disse Milei durante o discurso ao mencionar a negativa para o pedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As declarações do presidente argentino resultaram na convocação doembaixador do país em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar “transmitir a repulsa do governo brasileiro aos impropérios emitidos” por Milei. Raimondi se reuniu com o chanceler Mauro Vieira no Palácio Itamaraty ainda nesse domingo (26), horas após as afirmações de Milei.

O Ministério das Relações Exteriores, que se manifestou através de nota,também convocou de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para prestar consultas ao Itamaraty. Ele chegou ao Brasil na manhã desta segunda-feira (27).

A convocação do próprio embaixador para consultas tende a ser interpretada de maneira mais do grave do que a convocação do embaixador estrangeiro que está no Brasil. A medida eleva a tensão entre Brasil e Argentina.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, declarou o Itamaraty.

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