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Política

Ex-nora de Lula investigada pela PF fatura R$40 mil de federação ligada à CUT

Carla Ariane Trindade ex-nora de Lula - Foto: redes sociais.

A empresa Eficat Assessoria Comercial, de Carla Ariane Trindade — ex-nora de Lula (PT) e mãe de seu neto Thiago —, emitiu duas notas fiscais de R$20 mil cada à Federação Interestadual dos Urbanitários do Sudeste (Fruse), entidade ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). As cobranças ocorreram em 9 de setembro e 13 de outubro de 2026, atravessando os dois turnos das eleições presidenciais, conforme reportagem exclusiva do site A Investigação.

A Eficat foi aberta em 30 de julho de 2026, com capital social de R$10 mil e Carla como sócia-administradora. A primeira nota saiu 41 dias após a constituição da empresa. Ambas as cobranças repetem a mesma descrição genérica: “Prestação de serviços administrativos referente a NR-1”, norma de segurança e saúde no trabalho que passou a explicitar fatores de risco psicossociais em versão vigente desde maio de 2026. O código de serviço usado (17.02.01) corresponde a atividades como datilografia e digitação, enquanto a descrição fala em serviços administrativos. As notas registram a cobrança à Fruse (sediada em Campinas), não a efetiva transferência de valores. Não há identificação detalhada de serviços prestados, reuniões, materiais produzidos ou prazos.

O presidente da Fruse, Esteliano Gomes Neto, integra a Executiva nacional da CUT ao lado de Neiva Ribeiro, do Sindicato dos Bancários de São Paulo — figura citada em investigações anteriores do mesmo veículo. Em março de 2026, a Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU), da qual a Fruse faz parte, aprovou resolução de apoio à reeleição de Lula. A Fruse representa sindicatos de trabalhadores de energia, saneamento, gás e meio ambiente em quatro estados do Sudeste e é filiada à CUT.

Carla Ariane Trindade é investigada pela Polícia Federal na Operação Coffee Break, deflagrada em novembro de 2025, sobre suspeitas de irregularidades em contratos de material escolar e kits envolvendo a empresa Life Tecnologia Educacional, de André Gonçalves Mariano. Segundo a PF, ela e Kalil Bittar (ex-sócio de Lulinha, filho de Lula) teriam atuado para facilitar acesso a recursos e contratos federais, incluindo no FNDE/MEC. Carla foi alvo de busca e apreensão; a defesa nega as acusações. O caso se soma a apurações anteriores de A Investigação sobre movimentações financeiras envolvendo o neto de Lula e outras figuras próximas ao PT.

A revelação ocorre em contexto de disputa por transparência patrimonial entre Lula e Flávio Bolsonaro. No debate da Band em 18 de outubro e em vídeo posterior, Lula desafiou o adversário a abrir sigilos e comparar patrimônios; o acordo foi selado, com inclusão de outras entidades a pedido do PT. Flávio também apresentou ação no TSE acusando dirigentes sindicais, incluindo da CUT e Neiva Ribeiro, de uso de recursos e estruturas em favor da chapa Lula-Alckmin. As notas da Eficat e a Fruse não aparecem no trecho da ação examinado pela reportagem.

A Investigação, veículo de jornalismo investigativo liderado por David Ágape (autor dos Twitter Files Brazil e de reportagens da série Vaza Toga), publicou a íntegra da apuração em seu site. O texto destaca que os documentos mostram cobranças com descrição genérica e timing eleitoral, deixando em aberto o que foi efetivamente entregue pelos R$40 mil.

 

DIÁRIO DO PODER

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