O governo dos Estados Unidos afirmou que a recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas não abre caminho para qualquer ação militar em território brasileiro. A informação foi confirmada pela porta-voz do Departamento de Estado americano, Amanda Roberson, em entrevista ao portal R7.
Segundo Roberson, a legislação utilizada para enquadrar as facções não prevê operações militares. “A nossa lei é muito clara. Essa lei das designações não contempla nenhum tipo de ação militar. É o Departamento de Guerra dos Estados Unidos que tem responsabilidade pelas ações militares”, declarou.
A porta-voz destacou ainda que a medida dificilmente será revertida no futuro. De acordo com ela, embora a legislação preveja revisões periódicas, mudanças desse tipo são incomuns. O objetivo principal da classificação é ampliar os instrumentos legais para combater financeiramente as organizações criminosas.
Entre as medidas que poderão ser adotadas estão o bloqueio de bens em território americano, cancelamento de vistos, deportações e sanções contra pessoas ou empresas que forneçam apoio financeiro ou material às facções. “Vamos tentar estrangular suas fontes de recursos e apoio para conter as ações desses grupos”, afirmou Roberson.
A representante do governo americano também citou a presença do PCC e do CV em estados como Nova York, Nova Jersey, Flórida e Massachusetts como um dos fatores que motivaram a decisão. Questionada sobre possíveis impactos em sistemas financeiros brasileiros, como o Pix, ela afirmou que ainda é cedo para avaliar consequências específicas, ressaltando que a implementação das medidas está em fase inicial.