Foto: Paulo Mocofaya/Agência ALBA
Um nome passou a acender alertas no Palácio do Planalto nas investigações que envolvem o Banco Master e fraudes em consignados do INSS: o do empresário Augusto “Guga” Lima. Ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, Lima aparece como personagem-chave por conectar o esquema financeiro a políticas de crédito criadas em governos do PT na Bahia. Ambos foram presos preventivamente na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e seguem monitorados, aguardando novos depoimentos.
Guga Lima foi um dos responsáveis pela formatação do CredCesta, programa de crédito consignado vinculado à antiga Cesta do Povo, política social do governo baiano que, sob gestões petistas, migrou para um modelo financeiro baseado em desconto em folha de servidores públicos. A estrutura, inicialmente apresentada como ação de cunho social, tornou-se uma engrenagem lucrativa e de alto volume, com Lima atuando como operador privado do sistema, fora da administração formal do Estado.
A partir de 2018, ainda no governo Rui Costa (PT), o CredCesta passou a operar em parceria com o Banco Master. Dois anos depois, Lima se tornou sócio de Vorcaro, e o modelo foi replicado em escala nacional. As carteiras de consignados passaram a ser cedidas, revendidas e utilizadas como lastro em fundos de investimento e operações financeiras complexas. Parte relevante desses créditos, segundo investigações, teria origem em associações de servidores da Bahia sem capacidade comprovada para gerar os volumes bilionários apresentados.
Relatórios preliminares apontam que o Master negociou cerca de R$ 12 bilhões em carteiras com lastro questionado, incluindo contratos de consignados não apresentados às autoridades. O entrelaçamento entre associações, fundos de investimento e recursos ligados ao setor público levou órgãos de controle a aprofundarem as apurações. No Congresso, a oposição tenta avançar com CPIs para investigar as conexões entre o banco, o INSS e governos petistas, enquanto investigadores observam um padrão comum: o uso de estruturas associativas e benefícios públicos como base para operações financeiras de alto risco.
Com informações da Gazeta do Povo