A Chilli Beans, uma das marcas de óculos e acessórios mais famosas do país, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial nesta sexta-feira (30) para tentar renegociar uma dívida amarga de R$ 340 milhões. Fundada pelo empresário Caito Maia, a rede já alinhou um acordo prévio com seus principais credores financeiros para buscar um reequilíbrio imediato do caixa.
A negociação envolve instituições de peso como Itaú, Akron Capital e Vega Asset. Além de repactuar as condições e os prazos de pagamento, o acordo prevê que os próprios credores injetem até R$ 50 milhões na empresa para financiar essa fase de reestruturação. Para tranquilizar o mercado, a companhia garantiu que os salários dos funcionários, fornecedores e pequenos parceiros não estão incluídos no processo de recuperação.
Segundo Caito Maia, a situação delicada foi provocada por uma verdadeira "tempestade perfeita" no varejo brasileiro. O CEO apontou que o aumento brutal das taxas de juros encareceu o crédito da empresa e gerou um efeito bola de neve, agravado pela inadimplência dos franqueados no cenário pós-pandemia, taxa que saltou de um histórico de 3% para alarmantes 22% na época.
Apesar do susto financeiro e da projeção de uma leve queda no faturamento total em 2026, a Chilli Beans não pretende pisar no freio. Prestes a celebrar 30 anos de fundação em 2027, a marca aposta em lançamentos exclusivos e mantém o seu forte projeto de expansão internacional, somando hoje cerca de 900 franquias espalhadas por 14 países.