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Segurança

"Barão do Trigo": operação mira esquema com uso de 'laranjas' que sonegou R$ 35 milhões no RN

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A Polícia Civil, o Ministério Público e a Secretaria de Estado da Fazenda do Rio Grande do Norte deflagraram nesta terça-feira (11) uma operação contra um esquema de fraude fiscal, associação criminosa e lavagem de dinheiro que teria sonegado mais de R$ 35 milhões em tributos estaduais.

Batizada de "Barão do Trigo", nome que faz referência à sonegação ligada ao comércio de farinha de trigo, a ação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em seis cidades: Natal, Parnamirim, Santa Cruz, Ceará-Mirim, Canguaretama e Acari. Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Criminal da Comarca de Natal.

Empresas de fachada e "laranjas"

Segundo as investigações, iniciadas em junho de 2023 a partir de um relatório de inteligência fiscal da SEFAZ/RN, o grupo agia de forma estruturada havia anos. Os suspeitos teriam recorrido a empresas de fachada, procurações cruzadas e à interposição de "laranjas" para esconder quem de fato comandava os negócios, dificultando o rastreamento do patrimônio.

A principal engrenagem do esquema, de acordo com os apuradores, era a emissão recíproca de notas fiscais falsas entre empresas do próprio grupo. Isso dava aparência de legalidade a mercadorias compradas sem nota e permitia vender os produtos sem recolher os impostos devidos. As investigações também apontam uma possível ligação com uma organização criminosa de atuação nacional, suspeita de trazer mercadorias para o Rio Grande do Norte sem pagamento de tributos.

Passivo de R$ 35,8 milhões

Levantamentos da SEFAZ/RN indicam que o grupo acumula R$ 11,3 milhões em débitos em cobrança administrativa e outros R$ 23 milhões inscritos em Dívida Ativa do Estado — um total de R$ 35,8 milhões.

Bens bloqueados e sequestrados

Durante as buscas, foram apreendidos celulares, computadores, mídias digitais, dinheiro em espécie e documentos contábeis. A Justiça também determinou o sequestro de veículos de luxo e caminhões usados pelo grupo, o bloqueio de bens e valores em contas financeiras e o sequestro das cotas sociais de cinco empresas ativas ligadas ao esquema, além da administração judicial do grupo econômico.

 

A operação contou com Promotores do MPRN, Auditores Fiscais da SEFAZ/RN e Peritos Criminais da Polícia Científica (PCI/RN). As instituições afirmam que o objetivo agora é aprofundar as apurações, recuperar os recursos sonegados e responsabilizar os envolvidos.

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