Após o candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ter relatado que seu motorista foi abordado de forma “intimidadora” por uma viatura da Polícia Militar (PM) após deixar o político em casa, na zona sul da capital paulista, na noite dessa terça-feira (11/8), fontes ligadas ao atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmaram ao Metrópoles que “não esperavam a agressividade de Haddad”.
A noticia é de GUILHERME BIANCHI. Na tarde dessa quarta-feira (12/8), Tarcísio ordenou que a Secretaria da Segurança Pública (SSP) investigasse a ação policial contra o concorrente ao Palácio dos Bandeirantes. Segundo a SSP, o próprio secretário Osvaldo Nico Gonçalves ligou para Haddad “em busca de informações complementares sobre o trajeto e a situação relatada”. O conteúdo da conversa não foi revelado pelos interlocutores. A pasta informou que qualquer possível desvio de conduta será devidamente apurado.
Ao Metrópoles, Osvaldo Nico afirmou que, no momento do episódio relatado, a PM estava procurando integrantes de uma gangue quebra-vidros que havia praticado um crime entre as Avenidas 9 de Julho e Indianópolis, região próxima à residência de Haddad. Os criminosos teriam realizado um roubo e fugido em um Nissan Kicks preto.
A denúncia de Haddad foi feita durante uma entrevista à jornalistas, na manhã dessa quarta-feira (12/8), após sabatina na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB-SP). O político contou que voltava de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) com seu motorista e, ao chegar a sua residência, uma viatura da Polícia Militar “jogou luz no carro”.
Haddad desceu do veículo, entrou em casa, e o funcionário seguiu viagem. Mais à frente, contudo, o motorista continuou sendo seguido pelos policiais. Ele estacionou o carro e, ao perceber que a viatura permaneceu no local, foi questionar os agentes sobre a perseguição.
De acordo com Hélio Silveira, advogado do ex-ministro, o motorista relatou que os policiais carregavam fuzis dentro da viatura e teriam dito para o motorista “vazar” após o questionamento. “A abordagem toda teria durado cerca de 40 minutos”, contou o advogado.
“O meu carro, depois que me deixou em casa, foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo, de uma forma um pouco ostensiva e intimidadora. Quero crer que possa ter havido alguma confusão. Mas o meu motorista ficou muito assustado pela maneira como isso aconteceu”, relatou o ex-ministro.
O automóvel usado pelo motorista no momento da ocorrência era carro de campanha do petista. Haddad reforçou que procuraria o governo de São Paulo e outras autoridades competentes para entender qual foi a motivação da abordagem.
Em resposta à declaração do candidato, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que determinou identificação das equipes que estiveram ou passaram pela região no período informado para apurar as circunstâncias do episódio.