A reunião da CPMI do INSS desta quinta-feira (19) foi marcada por um embate que saiu do eixo técnico da comissão e entrou no campo religioso e político. Durante a sessão, parlamentares da esquerda voltaram a levantar suspeitas envolvendo doações e repasses a igrejas, com menções diretas à Lagoinha e à Fundação Lagoinha, citadas no contexto de apurações relacionadas ao escândalo do Banco Master.
A linha de ataque foi a de que entidades religiosas teriam recebido valores elevados a partir de recursos atribuídos a um sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O assunto foi levado pelo deputado Rogério Correia, o mesmo que deu um soco no colega dentro da Comissão e que também teve que pedir desculpas por divulgar uma foto feita por IA de Vorcaro com Bolsonaro.
A discussão ganhou novos contornos quando o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, reagiu às acusações em plenário. Viana confirmou que fez uma doação à Fundação Lagoinha há cerca de sete anos e sustentou que a operação não teria irregularidades. Segundo ele, os valores teriam passado por fiscalização e análise do Ministério Público Federal (MPF), sem que fossem identificados ilícitos no caso mencionado por parlamentares durante a sessão.
Além do presidente da comissão, outros congressistas se posicionaram de forma firme contra o que chamaram de generalizações e ataques às igrejas. Entre eles, foram citados o deputado Marcel van Hattem e a deputada Bia Kicis, que defenderam a necessidade de separar a investigação sobre o INSS e eventuais esquemas financeiros das críticas direcionadas a instituições religiosas, argumentando que o tema estava sendo usado para tensionar politicamente a CPMI.
No centro do debate também esteve a acusação de “blindagem” a Fabiano Zettel, apontado na discussão como sócio de Vorcaro. Viana negou que a comissão esteja protegendo qualquer investigado e afirmou que houve apresentação de pedido de quebra de sigilo e que informações de diversos citados já estariam disponíveis para análise, naquilo que a comissão pode acessar dentro das regras e ritos do colegiado.
O episódio expôs, mais uma vez, como a CPMI tem sido palco de disputas paralelas ao objeto central da investigação. A tendência é que o tema volte à pauta nas próximas sessões, com pressão para que a presidência esclareça quais pedidos foram formalizados, em que fase estão, que documentos foram efetivamente juntados e como a comissão pretende conduzir a apuração para evitar que o debate se transforme em confronto ideológico em vez de avançar sobre fatos, provas e responsabilidades.